Aeroporto

Aeroporto é um filme americano dos anos setenta, com Burt Lancaster e Dean Martin, dramático e de suspense, cujo enorme sucesso de bilheteira e várias nomeações para Óscares suscitou três sequelas: Aeroporto 75, Aeroporto 77 e Aeroporto 80 - O Concorde.

A história do novo aeroporto de Lisboa começou antes disso e também tem algo de novela, de enigmático, em alguns momentos, e até de dramático, para alguns, e eufórico para outros.

O caso da Ota é um desses episódios que nunca foi bem explicado. A decisão estava tomada para sempre e jamais seria revertida. O processo foi inicialmente acompanhado por um ministro, engenheiro, competente e estudioso, com capacidade de perceber os relatórios técnicos que precederam a decisão. Foram até congeladas as licenças de construção na área de proteção do futuro aeroporto. Quando tudo parecia firme e decidido, eis que se muda subitamente de opção.

Veio a seguir Alcochete que, do ponto de vista da coesão territorial, representava uma opção radicalmente distinta, por ficar na periferia da área de procura populacional do aeroporto. Como a mudança não foi claramente explicada, apesar de relatório do LNEC, ficou sempre a desconfiança de que talvez interesses imobiliários pudessem ter concorrido para essa alteração, mesmo que isso nunca se tenha provado.

Seguiu-se o Montijo mais Portela (ou vice-versa), primeiro como resposta definitiva e depois como transitória, de novo à espera de Alcochete.

Para já não falar da opinião publicada de vários lisboetas, que defendiam que não precisávamos de aeroporto nenhum. Ou melhor, que qualquer opção que não fosse a de um aeroporto no seu quintal seria de rejeitar.

Agora perfila-se uma nova alternativa para o Norte de Lisboa, há semanas noticiada no Expresso, cujos contornos ainda não são conhecidos, mas que se impõe ser equacionada.

A ser viável, esta alternativa não exigiria a construção de uma nova ponte sobre o Tejo, teria em conta o fluxo de passageiros provenientes do Norte de Lisboa e poderia ter um impacto positivo no desenvolvimento da rede de cidades de média dimensão da Região Centro, contrariando a bipolarização do país em torno de duas áreas metropolitanas, Lisboa e Porto, que Alcochete acentuará.

Tendo em conta os episódios antecedentes, seja qual for a decisão que vai ser tomada em breve sobre a localização do novo aeroporto, o que se exige é que ela preencha três condições.

A primeira, sobre a qual o primeiro-ministro insiste mesmo antes de o ser, quando foi preparada a Agenda Estratégica para a Década, em 2014, é a de que a decisão seja consensualizada entre as principais forças políticas, para que, de uma vez, se ponha fim à novela arrastada em que andamos envolvidos.

O mesmo se aplica a outras grandes infraestruturas de interesse nacional.

A segunda é que a opção não seja tomada em função apenas dos interesses lisboetas, mas de toda a área territorial que pode beneficiar do aeroporto.

E a terceira é que a opção final seja claramente explicada aos portugueses, destacando os seus impactos no território, os custos e o tempo envolvido e a viabilidade técnica e económica futura. Tudo isto com o devido detalhe, para que não fique qualquer suspeita de que a localização do novo aeroporto é a única possível ou é a melhor para o País no seu conjunto.

Eurodeputada

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