A Saúde, Globalização e Segurança

Há algo misterioso e incongruente no substancial aumento orçamental e no crescente número de profissionais de saúde e os resultados desastrosos com o aumento da mortalidade, a ausência de médicos nas urgências de todos os tipos, incluindo de obstétrica, e a falta de enfermeiros. Talvez o novo ministro nos possa fornecer a informação que esclareça este mistério. Para que possamos verdadeiramente perceber o que se passa no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para onde se esvaiu todo o colossal aumento orçamental efetuado? Para onde foram trabalhar os milhares de novos e adicionais profissionais contratados? Eis o que seria interessante saber.

A mortalidade excessiva que se verifica é um grave risco ao nosso país, pondo em risco a Segurança Nacional. A manter-se a mortalidade nos níveis atuais vai arrastar o país para uma grave crise demográfica, que já tem, na baixa natalidade, devida à emigração dos jovens, um fator perturbador.

E não se diga que o aumento da mortalidade está associada à elevada esperança de vida. A verdade é que, nos últimos anos, a esperança de vida tem vindo a diminuir e a mortalidade a aumentar.

Mas a realidade no SNS pode resumir-se à falta meios e pessoas. Em paralelo a idade dos médicos aumenta e a reforma ameaça fazer crescer a carência de profissionais. Como conseguir suprir estas necessidades?

O mercado de profissionais de saúde globalizou-se. A mobilidade internacional é grande. Milhares de enfermeiros portugueses trabalham fora de Portugal principalmente em países europeus e do médio oriente. Os médicos também procuram trabalho noutras geografias. Segundo o Sindicato Independente dos Médicos a emigração destes profissionais disparou em 2021, sendo os principais destinos a Alemanha e o Reino Unido.

Portugal também tem de se situar neste mercado globalizado, trazendo para o nosso país enfermeiros e médicos de outros países. As modalidades em que tal se pode fazer são diversas. A imigração é a melhor alternativa que fixaria profissionais em Portugal. Mas também não é de excluir acordos com outros países, como Cuba, que poderiam enviar médicos durante períodos críticos, por exemplo no Verão.

Sem uma posição proactiva no mercado de trabalho global, recrutando internacionalmente, o país envereda por uma degradação, que se pode tornar irreversível, dos cuidados de saúde em Portugal.

Havendo constrangimentos nas Universidades portuguesas no aumento da formação de médicos, torna-se imperioso enviar contingentes de estudantes portugueses para as Universidades de Medicina de outros países. Mesmo contando que alguns não voltariam, seria um duplo ganho: em melhoria da formação e no aumento de profissionais.

Seria também possível enviar doentes com doenças mais raras para tratamento em outros países, nomeadamente em Espanha, evitando custos acrescidos em Portugal.

No entanto esta política enfraquece o país em termos de Segurança e atrasa-nos no campo da medicina. Um bom exemplo histórico foi o de transplantes de fígado que só foi introduzido em Portugal muito mais tarde do que em Espanha, país para o qual eram encaminhados os pacientes que precisavam desse tratamento.

Os nossos políticos pensam e agem como se Portugal fosse um país isolado do mundo, sem capacidade de agir nos mercados mundiais e apenas interagindo com a União Europeia para receber ordens em troca de dinheiro. É um provincianismo perigoso. É preciso mudar. Pela nossa saúde.

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