A importância das eleições presidenciais

A próxima eleição presidencial irá marcar o início de um ciclo de recuperação da crise pandémica. Serão cinco anos decisivos em que uma série de desafios irão confluir e muitas coisas poderão ter de mudar.

É evidente que a crise económica, de escala mundial, teve desta vez uma resposta coordenada, antecipada e firme da Europa, o que nos possibilitará o acesso a um conjunto de instrumentos de que não dispusemos em crises anteriores. Portugal não está sozinho e se soubermos usar bem estes instrumentos de recuperação económica, resolvendo em simultâneo os aspetos estruturais menos funcionais do nosso país, esta crise pode ser mesmo uma grande oportunidade de resolvermos problemas como a competitividade, as transições climática e digital, o combate às desigualdades...

O que nos pode impedir de o fazer?

A primeira ou a mais evidente ameaça a este processo seria um clima de instabilidade política que impedisse um rumo consistente de governação. No nosso regime constitucional, cabe ao Presidente da República a enorme responsabilidade de contribuir para a existência de condições de estabilidade política e de eficácia governativa.

Mas as sondagens parecem indicar a possibilidade de uma abstenção elevada nas eleições presidenciais. A sondagem publicada pelo Diário de Notícias na passada segunda-feira [4 de janeiro], por exemplo, aponta a abstenção para valores próximos dos 60%. As causas da abstenção em Portugal têm vindo a ser estudadas e debatidas sendo as principais razões encontradas o desinteresse pela política e a falta de confiança dos eleitores nos políticos.

O crescimento da abstenção ao longo das últimas décadas deve preocupar-nos a todos - e bem para além das declarações que se tornaram habituais nos comentários ao longo da noite em que se analisam os resultados eleitorais.

É mesmo importante que estas eleições presidenciais sejam participadas por uma esmagadora maioria dos portugueses.

Não sendo a legitimidade formal da eleição posta em causa pela abstenção, é certo que vivemos um momento de oportunismos (e de oportunistas) políticos que aproveitarão uma abstenção muito elevada para procurar debilitar a força constitucional do novo ou da nova presidente.

Lanço um pedido aos candidatos para que reforcem o apelo à participação eleitoral. Os eleitores saberão escolher quem melhor ocupará a Presidência da República. Mas o que seria mesmo notável nesta eleição é que a abstenção fosse reduzida fortemente e que um ciclo de intensa participação política dos cidadãos se iniciasse.

Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG