Três milhões de refugiados, dos quais praticamente metade são crianças. Há estimativas que dizem poderem vir a chegar aos 8 milhões. Por trás de cada número, uma vida interrompida pela força da invasão..O apoio aos refugiados é um imperativo moral. Também o era (e é) com os refugiados sírios ou de outras origens, mas a força do preconceito (a diferença de religião, raça e tudo o mais que é usado para justificar a desumanização do outro) impediu a onda de solidariedade que agora testemunhamos. Países que antes fecharam as portas abrem-nas agora. Políticos (incluindo nacionais) que legitimaram essa conduta tornam-se paladinos do acolhimento..A solidariedade da população tem sido esmagadora e comovente, mas só resolve parte dos problemas. Para os refugiados que chegam - mulheres e crianças na sua esmagadora maioria - é preciso habitação, cuidados de saúde, escolas, formação linguística e apoios sociais aos refugiados. Estima-se que, por cada milhão de pessoas acolhidas, sejam precisos 10 mil milhões de euros por ano. Será difícil (e profundamente injusto) que os países suportem sozinhos esses custos. É necessário um mecanismo europeu de solidariedade para os refugiados que assegure o adequado apoio a quem foge da guerra e evite que alguns países fechem as fronteiras com receio dos custos do acolhimento..Em simultâneo, a União Europeia tem de encarar a nova realidade económica e geopolítica que emergiu com o início da guerra..O brutal aumento dos custos da energia tem um impacto tremendo para as famílias e empresas industriais. A maioria das possíveis medidas de mitigação, como a redução temporária do IVA ou a limitação de preços com financiamento dos valores que os ultrapassem, obrigam a decisão a nível europeu. No curto prazo, para que não se instale uma forte crise económica e social, poderão revelar-se necessárias..Entretanto, a UE deve avançar imediatamente na compra conjunta de combustíveis, que, tal como se verificou com as vacinas, tem o potencial de reduzir a especulação de preços..Mas há outras medidas que, apesar do seu carácter estrutural, devem ser também tomadas no imediato. Dizem respeito à autonomia estratégica da União. A invasão da Ucrânia pela Rússia acentuou a perceção, que se vinha gradualmente consolidando, de que a UE, em áreas críticas, não pode estar inteiramente dependente de terceiros, particularmente quando estes são adversários das democracias liberais..A energia é, evidentemente, o setor que sobressai no atual contexto. A construção de interconexões energéticas em toda a UE é um dos investimentos indispensáveis. Mas também o são os investimentos em energias renováveis, que nos permitirão reduzir gradualmente a nossa dependência das energias fósseis..Outros setores, como a cibersegurança ou a defesa, estão a merecer agora um novo olhar. É claro o défice de investimento nos últimos anos que só com um programa europeu de investimento poderemos superar..Tal como a democracia, também a segurança tem custos. Não nos podemos dar ao luxo de os dispensar. Se a segurança é cara, a alternativa está aos olhos de todos..5 VALORES Alberto Núñez Feijóo Presidente do Governo Regional da Galiza Feijóo, que em breve se tornará presidente do PP, partido homólogo do PSD português, viabilizou a chegada do VOX ao governo da região de Castela e Leão. Nunca na Espanha democrática um partido de extrema-direita tinha tido responsabilidades governativas. É a direita democrática a normalizar a extrema-direita. Lamentável..Eurodeputado