A eletrificação como a grande tendência na indústria automóvel

Muitas são as perguntas se o futuro do automóvel será efetivamente elétrico. Como serão feitas viagens de longa distância? Como serão carregadas as viaturas em edifícios sem garagem? Os custos de aquisição, em especial o custo das baterias, irá baixar? Será o hidrogénio uma alternativa?

A minha opinião sobre o tema, enquanto apaixonado pela indústria, mas sobretudo na qualidade de profissional, é a de total alinhamento com a visão de que a eletrificação é a grande tendência da indústria automóvel (sem esquecer a conectividade) para os próximos anos, tendo ganho uma enorme preponderância na alocação de investimentos por parte dos principais fabricantes em detrimento do desenvolvimento de outras tecnologias, como a condução autónoma ou o "sharing".

Esta recente priorização da eletrificação resulta da conjugação de uma série de fatores:

- Legislativos: quer a nível local, com a introdução de crescentes restrições à circulação de viaturas a combustão nas principais cidades europeias, quer a nível internacional com a criação de metas de médio prazo que proíbem a venda de viaturas que não sejam de emissão 0 na Europa e em outras importantes geografias.

- Ambientais: o aumento significativo de fenómenos da natureza considerados extremos, que têm ocorrido nos últimos anos, tem como uma das suas consequências a maior consciencialização da sociedade para os temas ambientais. Mesmo sendo o transporte rodoviário responsável por, em média, menos de 20% das emissões, os fabricantes automóveis estão assim cada vez mais focados no desenvolvimento de soluções que visam a neutralidade das emissões carbónicas.

- Económicas: os crescentes conflitos geopolíticos, decorrentes da escassez do petróleo, resultaram no forte investimento em pesquisa e inovação de fontes energéticas alternativas mesmo apesar de, numa fase inicial, representarem um custo de utilização superior. Também os custos de aquisição cada vez mais democratizados devem ser tidos em conta neste ponto específico.

Além destes três pontos-chave, que têm influenciado o paradigma da mobilidade a nível mundial, também os fabricantes têm feito o seu papel ao sugerir soluções que promovam não só uma maior consciencialização de todos, como tornem a mobilidade sustentável mais cómoda de utilizar, tanto para os privados (ou particulares?), como para as empresas.

O tempo também deve estar presente nesta equação. Já se percebeu que só com uma infraestrutura sólida e acessível a todos (independentemente da geografia onde nos situamos) conseguiremos levar a mobilidade elétrica a níveis superiores e quanto a isto só há uma certeza: em mercados onde a infraestrutura registou um rápido crescimento, a transformação acompanhou essa velocidade.

No caso do mercado português temos vindo a assistir a um crescimento exponencial na procura por viaturas elétricas. Que não haja dúvidas: os portugueses estão não só sensíveis, como estão sobretudo interessados em adotar uma mobilidade mais sustentável e investir na aquisição de veículos tecnologicamente mais avançados e seguros. Aliamos este interesse ao aumento considerável do preço dos combustíveis e temos a receita para que Portugal consiga acompanhar os territórios mais avançados nestes itens.

Como é norma nestas transformações profundas na sociedade, neste momento temos dois obstáculos: um é o da infraestrutura de carregamentos não acompanhar a tendência de crescimento do mercado e o outro prende-se com o preço de aquisição das viaturas elétricas que ainda são, por regra, mais caras do que viaturas equivalentes a combustão. Vemos que os fabricantes e a sociedade têm feito o seu papel rumo à solução, falta um maior apoio e abertura dos responsáveis políticos para uma transição rápida e suave para todos.

Diretor-geral da Audi

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