A depressão mata

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A advogada e vencedora de um concurso de beleza norte-americano, Cheslie Kryst, faleceu há dias, vítima daquilo que se acredita ter sido um suicídio. O que nos leva a refletir sobre o quão importante é cuidarmos da saúde psicológica, parte integrante do nosso bem-estar mais geral.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem todos os anos por suicídio, sendo que muitas mais o tentam cometer. O suicídio é a quarta causa de morte entre os jovens de idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos de idade, revelando-se um problema de saúde pública bastante significativo.

Os pensamentos e as tentativas de suicídio surgem frequentemente associados à perturbação depressiva, que se caracteriza por um humor deprimido a maior parte do dia, quase todos os dias, perda de interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades e alterações nos padrões alimentares e de sono. A pessoa deprimida apresenta ainda, com frequência, agitação ou lentificação psicomotora, fadiga, sentimentos de desvalia ou de culpa excessiva ou inadequada, bem como dificuldades de concentração. Falamos, assim, de um estado emocional desagradável em que o sujeito se sente triste, apático e infeliz, mostrando desinteresse pelas suas atividades habituais. Nas crianças, os sinais e sintomas podem ser um pouco diferentes, sendo frequente a agressividade mascarar um humor mais depressivo.

É fundamental perceber a diferença entre a tristeza considerada normal e a tristeza patológica, dois extremos de um continuum com diferentes estados intermédios. Se a chamada tristeza normal é proporcionada, circunscrita a determinadas situações, esporádica, adaptativa, breve e pouco intensa, a tristeza mais patológica revela-se desproporcionada, invasiva, persistente, intensa, desadaptada e desorganizadora. A tristeza patológica surge habitualmente de mãos dadas com alterações físicas, sociais, pessoais e espirituais, sinais de alerta que devem ser valorizados de modo a procurar-se ajuda especializada.

Ignorar ou minimizar aquilo que se sente, acreditando que passa com o tempo ou que é apenas um estado passageiro, pode fazer a diferença entre pedir ajuda de forma atempada ou perceber-se, depois, que as ideias de morte começam a ser difíceis de controlar. Os pensamentos suicidas atravessam várias fases que se agravam de forma gradual, pelo que a intervenção precoce é a melhor forma de impedir essa escalada.

A depressão nem sempre é visível de uma forma muito clara e esconde-se, muitas vezes, por trás de um sorriso. É fundamental estarmos atentos aos sinais e pedir ajuda o quanto antes.

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

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