Já não é a primeira vez que neste espaço se eleva a importância da saúde mental. A sua relevância influencia os principais indicadores de bem-estar humano e, no limite, sociedades mentalmente mais saudáveis serão também comunidades com índices de produtividade e concretização superiores..Dito isto, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) trouxe a público resultados de um estudo que versa sobre o uso de antidepressivos. Uma das principais conclusões é a seguinte: verificou-se um incremento galopante no consumo desse tipo de medicamentos na Europa, o que se traduz num aumento de cerca de 250% em apenas 20 anos..Os dados do relatório estabelecem também uma ligação direta entre os níveis de ansiedade e depressão e a pandemia de COVID-19, algo que poucos surpreenderá..Os números relativos a Portugal não são magníficos, até porque aqui se verificou a quarta maior subida no consumo de antidepressivos, com 304%, antecedido pela República Checa, com 577%, Estónia, com 478%, e a Eslováquia que contabilizou 460%. O que mais motiva preocupação no nosso país é a curva acentuada no consumo, que se verificou especialmente aguda no pós 2018..Em termos do custo destes medicamentos, em 2020, Portugal gastou 128 milhões de euros, ficando em sétimo no ranking. Este número representa 4 por cento das vendas globais de medicamentos em farmácia, a percentagem mais elevada entre os 20 países neste segmento. Em volume, a Alemanha supera todos tendo gasto 812 milhões de euros em apenas um ano..Todavia, o relatório da OCDE traz uma curiosidade: perante a pergunta "será que nos países mais felizes se consome menos antidepressivos?". Os resultados demostraram que não..A Islândia, considerado o país mais feliz do mundo em 2020 (de acordo com o World Happiness Report), é atualmente o país que mais consome este tipo de medicamentos. O mesmo se passa, por exemplo, com a Suécia, que ficando em sexto nesse ranking da felicidade, é o quarto país que mais "abusa" de antidepressivos..Em contra ciclo na amostra de países alvo de escrutínio, apenas a Dinamarca registou uma quebra de 4 por centro no consumo, isto durante a segunda década analisada (2010-2020). Em todos os outros o aumento foi generalizado..Muitas mais conclusões se poderiam retirar deste estudo, mas importa realçar que os investigadores sugerem como causas possíveis deste aumento o próprio reconhecimento da depressão enquanto doença, a disponibilidade de novas terapias medicamentosas ou a amplitude de tratamento associada a estes medicamentos..Como disse Peter Drucker, "o mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito". Desta forma, uma das conclusões pessoais que retiro deste relatório é que o tema "saúde mental" continua a merecer mais atenção por parte de todas as esferas na sociedade. Normalizar esta componente da saúde humana é fulcral para que cada vez mais possa ser tratada sem vergonhas ou receios.