Em maio de 2016, vão fazer brevemente dez anos, foi celebrado um protocolo de cooperação, entre o Governo português e o Ismaili Imamat, que se traduziu num apoio de cerca de 10 milhões de euros, destinado a promover a qualidade de vida das populações, através da cooperação académica, científica e tecnológica entre instituições portuguesas e africanas, com especial ênfase para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa PALOP).O programa resultante do protocolo, aberto para todas as áreas do conhecimento, atraiu múltiplas candidaturas, sempre a partir de parcerias entre instituições portuguesas e africanas, que foram selecionadas por um júri de peritos, sob a coordenação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), em parceria com a Representação Diplomática do Ismaili Imamat em Portugal e a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN). O acompanhamento científico dos projetos ficou a cargo de uma comissão externa, especialmente nomeada para o efeito. Foram abertos dois concursos tendo sido selecionados 16 projetos no primeiro e 21 no segundo, todos já finalizados com sucesso, decorrendo nesta altura a avaliação final do segundo grupo. As áreas de intervenção cobrem as ciências da vida, as exatas, as médicas e da saúde e as ciências sociais, como pode ser lido detalhadamente no sítio ‘web’ da FCT. Alguns exemplos concretos são os projetos ligados às pescas e à biologia marinha, à aquacultura, à flora endémica, ao ambiente nas zonas costeiras, à urbanização, às fontes energéticas, à paleontologia, às geociências, ao HIV-SIDA, à tuberculose, à malária, às doenças provocadas por vetores, à saúde materno-infantil e às identidades culturais entre Portugal e África. Cada projeto englobou instituições académicas e científicas portuguesas, enquanto nos PALOP se verificou, para além das instituições já referidas, a participação de organismos técnicos dos ministérios, bem como organizações não governamentais.Para além dos resultados obtidos em cada projeto, há que salientar a importância da identificação de potenciais redes temáticas de colaboração entre instituições e entre países, envolvendo a capacitação de dezenas de técnicos e de jovens investigadores que abordaram temas diretamente ligados à melhoria da qualidade de vida das populações. O impacto deste programa deverá continuar a ser avaliado e expandido, com um maior contributo científico e técnico da AKDN, sobretudo através da participação de elementos da Universidade Aga Khan com considerável conhecimento e experiência em muitas das áreas acima referidas.O protocolo assinado esta semana entre o Ismaili Imamat e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, contempla um pacote financeiro que ronda os 5 milhões de euros e que significa um importante reforço do apoio dado à investigação científica em Portugal, nos PALOP e noutras regiões.