A cara vai nua

Em Portugal o número de casos de covid aumentou 58% na última semana. Já o número de disparates de pseudo especialistas deve ter subido alguns 72%. A justificação, logo repetida ad nauseum, responsabiliza o abandono das máscaras pela situação epidemiológica. Sem delongas, conclui-se e afirma-se que a nudez facial é a causa. Bem rápida esta nova ciência, não acham? Sucede que se trata apenas de uma correlação e não de uma relação causa-efeito. Uma correlação é apenas isso mesmo - pode ser achada entre o acto de comer tremoços e a capacidade de jogar gamão. Não significa que A leva a B. Aliás, se a retirada de máscaras explicasse o aumento de casos, o que dizer dos diversos países que estão há muito mais tempo sem máscara e sem que se verifique esta subida, ou o que inferir da estabilidade dos números quando se introduziram as máscaras em espaços fechados? Que achar do acréscimo quando se tornaram obrigatórias as mordaças ao ar livre? Aí os papagaios da narrativa já não concluíram lestos que as máscaras são prejudiciais, pois não? De facto, a ciência não se faz assim, a olho e com palpites e o jornalismo também não se constrói desta forma, acrítica e vendida. Estas derivas são apenas pseudo ciência e propaganda, respectivamente.

De resto, países como a Noruega e a Suécia - que não impuseram máscara durante 2020 e 21 - são os que apresentam menor mortalidade geral da Europa. Também existem centenas de estudos (antigos e recentes) apontando a ineficácia das máscaras e vários artigos revistos sobre correlações entre uso de máscara e infecções. Outras variáveis podem e devem ser consideradas para entender porque é que Portugal continua a ser recordista covid. Manipulação é que não é caminho. Insistir nas estratégias que não resolveram o problema tão pouco.

Sucede que, a par do lusitano cortejo de especialistas que antes de o ser já o eram, António Costa e a sua maioria absoluta, bem como a própria OMS, procuram endurecer brutalmente as medidas sanitárias; baseando-se nas anteriormente tomadas, mesmo que se tenham revelado absurdas e ineficazes, como o confinamento. E com consequências dramáticas na economia, saúde e educação.

O primeiro-ministro avança com a inconstitucional e obscena lei de emergência de saúde pública (dois anos de prisão para quem quebre o isolamento). Já o Tratado Internacional para Pandemias transfere mais poderes para a OMS para declarar emergências e exigir que os países sigam as suas instruções. Assim se abalroam as soberanias nacionais e se impõem medidas supostamente salvíficas.

Sucede que esta agência carece de independência quer política quer financeira para essa missão universal e remota. A OMS está pejada de conflitos de interesses, é financiada por fundações privadas e corporações - inclusive da indústria farmacêutica.

Afinal, quem são esses burocratas internacionais não eleitos eivados de incompatibilidades que podem, no âmbito deste tratado, invocar até fontes secretas para adoptar medidas drásticas e decisões de vida e de morte para as populações mundiais? Qual a correlação destas ingerências com supostas boas intenções? É que causa-efeito não há nenhuma. Que lhes caia essa máscara. Será o melhor controlo de qualquer pandemia. Ou então joguem antes gamão.

Psicóloga clínica.
Escreve de acordo com a antiga ortografia

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