974 razões para mudar!

974 é o número de contentores que perfaz a totalidade de um estádio de futebol.

A grande inovação não é o tipo de material ou de recursos usados na sua edificação, mas sim no que vem a seguir. E o que vem a seguir é fazê-lo desaparecer!

O que na verdade, se continuarmos a circundar o problema, desmantelar um estádio, nem é assim uma grande inovação.

Basta olhar para o passado. E quando digo passado, falo daquele passado que já ninguém se lembra. No ano de 1867 nasce em Paris, uma estrutura impactante que tinha como principal objetivo acolher a Exposição Universal e que seria (e foi) desmontada. Se andarmos ainda mais para trás, até 1851, encontramos, também para uma Exposição Universal, o Palácio de Cristal que foi desenhado, construído por peças, montado e posteriormente desmontado e montado outra vez noutro local na capital inglesa.

Estes eventos de cariz universal, efémeros, datados num tempo e numa geografia, de certa forma equivalem-se aos eventos desportivos de massas, sejam eles Jogos Olímpicos ou Mundiais de Futebol.

São eventos teatrais ao estilo dos tempos dos egípcios e dos romanos, daquele tempo que aconteceu ainda muito mais lá atrás.

São eventos que ocorrem em templos desportivos. São cenários construídos que acolhem as fantasias de uma história que se quer vitoriosa. Com golos!

Estes teatros fomentam fogachos de alegria e vigor, mas que ocorrem num recorte temporal muito curto, tal como as Exposições Universais.

E infelizmente o planeta já não aguenta mais palcos perpétuos que acolhem estes momentos a roçar a arte cénica, datada, efémera, momentânea.

Veja-se por exemplo em 2004, tivemos uma dezena de novos estádios, 4 dos quais têm hoje uma utilização muito diminuta e apenas receberam um par de jogos naquele Europeu que mais nos faz lembrar uma tragédia grega.

Em 2014, no Mundial acolhido pelo Brasil, o cenário de quase abandono repete-se, pois temos mais uns quantos estádios que caíram praticamente em desuso.

Não se aprendeu nada com os franceses e nem com os ingleses que, em pleno século XIX, já desenhavam estruturas com o objetivo de no fim as desmontar.

Os sistemas inovadores existem, são é antigos, e por isso teimamos em não olhar para eles.

E continuamos a construir mais e mais, sustentados numa economia do tempo, quando devíamos era pautar as nossas vivências na gestão do planeta.

E por que não olhar para o Estádio 974 e ver nele o mesmo número de razões para se fazer como se fez no séc. XIX?

Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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