48% é Pornografia

Em 2019 o valor percentual de portugueses sem ensino secundário completo era de 48%.

Em 2019 o valor médio da União Europeia (28) para esta mesma variável era de 21,4%.

Em 2019 o valor de cidadãos europeus sem ensino secundário era de 20,6% nos Países Baixos, de 19,8% em França, de 17,5% na Bulgária, de 15,1% na Hungria, de 14,4% na Croácia, de 13,3% na Alemanha, de 7,4% na Polónia, de 6,2% na República Checa ou de 5,2% na Lituânia.

Em contrapartida, Espanha tem 39% e Itália tem 37,9%, ambos claramente acima da média da União Europeia (28).

Mas Portugal tinha, em 2019, 48,3% de população sem ensino secundário completo. Quarenta e oito por cento. Q-u-a-r-e-n-t-a e o-i-t-o p-o-r c-e-n-t-o!

Pergunto-me como em 47 anos de democracia não fomos capazes de reduzir substancialmente este número? Pergunto-me como conseguimos conviver bem, e descansar, sabendo que 48% dos portugueses não completaram o ensino secundário? Pergunto-me se não temos nada a fazer e se este dado não é, no mínimo, perturbador?

Claro que haverá mil e um iluminados para justificar este valor. Todas as justificações são pífias.

E haverá outros tantos a determinarem correlações entre este dado e outros. Europa do Sul, matriz judaico-cristã e por aí fora.

Claro que haverá mais uma outra quantidade de pessoas que se irá focar no montante da dívida e na segregação da dívida. E que irá dizer que a nossa dívida é que é preocupante e que 135,4% de dívida face ao PIB é uma enormidade. E é. E que dirão que na Europa do Sul e com a matriz judaico-cristã os resultados só podem ser estes. Claro que haverá uma outra quantidade de pessoas que estabelecerá boas correlações entre salários baixos, ou média salarial, e falta de qualificações. Constatam o óbvio.

Claro que haverá ainda uma outra quantidade de pessoas que dirão que os crescimentos da economia portuguesa são anémicos ou inexistentes e que correlacionam bem com este nível de pessoas que não completaram o ensino secundário.

Só que o problema, meus amigos, não começa na dívida, no PIB ou no PIB per capita, ou nos baixos salários e nos crescimentos anémicos. Tudo isso são sintomas. Sintomas da asneirada que fizemos durante 47 anos, transversalmente, e dos quais ninguém sai ileso. Assobiámos para o lado no que a estes dados diz respeito. E estes dados dizem respeito a pessoas. Pessoas.

O cerne do problema, o centro do problema, a origem do problema está só nas baixas qualificações dos portugueses. Esse é o problema a atacar.

Querem reduzir a dívida? Eduquem os portugueses. Querem aumentar o PIB? Eduquem os portugueses. Querem fazer crescer a Economia? Eduquem os portugueses. Querem aumentar salários? Eduquem os portugueses.

Educar os portugueses é a primeira prioridade. Dinheiros comunitários, bazucas e quejandos ou servem para educar ou não deveriam ser aceites. Elucubrações mentais sobre como vamos sair deste estado de coisas em termos de economia só podem ter um princípio: Educação. Tudo o resto, tudinho, são divagações em dó menor deste problema gigante. Porque 48% é pornografia.

Presidente do Iscte Executive Education

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