De uma cidade para uma nação. De uma ideia local para uma visão nacional.
“Uma Praia para Todos”, essa afirmação, ainda que embrionária, ganhou expressão política durante a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de outubro de 2020, para a Câmara Municipal da Praia.
O que começou por ser “Uma Praia para Todos” viria, mais tarde, a ganhar uma dimensão muito mais ampla: “Um Cabo Verde para Todos”.
A passagem de uma Praia para Um Cabo Verde para Todos representa, assim, a transição de uma dimensão local para uma escala nacional. A ideia deixa de estar circunscrita à cidade da Praia e passa a projetar-se sobre todo o território nacional, colocando no centro do debate uma visão de país assente na inclusão, na participação e na criação de oportunidades para todos.
“Cabo Verde para Todos, portas abertas para África e pontes para o mundo”
Francisco Carvalho enfatizou esse desígnio no seu discurso na 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, onde reafirmou a visão de um Cabo Verde aberto a África e ao mundo.
A intervenção ganhou um significado particular num momento em que Cabo Verde assume, a partir de janeiro de 2027, a presidência dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, projetando o país no palco internacional. Esta visão ganha particular relevância num país arquipelágico e profundamente marcado pela Diáspora.
Pensar Cabo Verde para Todos é também pensar nos cabo-verdianos que vivem fora das ilhas, no conhecimento que acumularam, nas redes que construíram e no contributo que podem dar ao desenvolvimento do país. A Diáspora não pode ser vista como apenas uma comunidade que mantém laços afetivos e envia remessas, mas como parte integrante do capital humano, económico e cultural de Cabo Verde.
Ao mesmo tempo, abrir as portas para África significa aprofundar a nossa pertença ao continente e explorar melhores oportunidades económicas, culturais e diplomáticas que essa relação oferece. Cabo Verde pode tirar partido da sua posição atlântica e das relações históricas que mantem com as diferentes geografias para se afirmar como espaço de encontro entre África, Europa e as Américas.
Mas nenhuma projeção externa será verdadeiramente sustentável sem um país mais coeso internamente e um Cabo Verde para todos terá necessariamente de enfrentar os desafios das desigualdades sociais, das assimetrias entre ilhas, da precariedade do emprego jovem e da criação de oportunidades, através da criação de riquezas – a prioridade atribuída ao sector primário, agricultura, pescas e pecuária –, conforme definida no Programa do Governo, deverá estar devidamente inscrita nas rubricas do Orçamento do Estado para a legislatura que agora se inicia.
É a capacidade de incluir todos os cabo-verdianos neste projeto coletivo que dará consistência às pontes que pretendemos construir para o mundo.
É neste percurso que se inscrevem estas “Cronicas de Um Cabo Verde para Todos”: um espaço de reflexão sobre o país que somos, o país que queremos construir e o lugar que Cabo Verde pode ocupar no mundo, com portas abertas para África e pontes para o mundo.