Uma economia forte para famílias mais fortes

Portugal tem todas as condições para crescer mais e melhor. O que falta é uma estratégia que una competitividade económica, inovação e justiça social.
Ricardo Costa

Presidente da Federação do PS Braga

Publicado a

O custo de vida tornou-se a maior preocupação dos portugueses. Enquanto o Governo da AD insiste em apresentar indicadores económicos positivos, a realidade vivida pelas famílias é bem diferente. Todos os meses, milhares de pessoas sentem maiores dificuldades para pagar a prestação da casa, a renda, a alimentação, os combustíveis ou a energia. O país real vive sob uma pressão constante que não encontra resposta nas políticas públicas. 

O recente aumento do preço dos combustíveis é apenas mais um exemplo dessa realidade. Não afeta apenas quem abastece o automóvel; repercute-se no transporte de mercadorias, nos custos das empresas e, inevitavelmente, no preço dos bens essenciais. No final, são sempre as famílias que suportam a fatura.

Mas os combustíveis são apenas uma parte de um problema muito mais profundo. O que verdadeiramente preocupa os portugueses é a dificuldade crescente em construir um projeto de vida. Muitos trabalhadores continuam presos à precariedade laboral, com salários que não acompanham o aumento do custo de vida. Os jovens enfrentam enormes obstáculos para comprar ou arrendar uma habitação, enquanto a classe média vê uma parte cada vez maior do seu rendimento absorvida pelos custos da casa. A isto junta-se o aumento persistente do preço dos bens essenciais, que reduz diariamente o poder de compra das famílias.

Perante este cenário, é legítimo questionar se as prioridades da atual governação estão verdadeiramente centradas naquilo que mais preocupa os portugueses. Governar não pode significar apenas apresentar boas estatísticas. Governar é garantir que o crescimento económico se traduz em melhores condições de vida para quem trabalha, para os jovens que querem construir o seu futuro e para os pensionistas que veem o seu rendimento perder valor.

Mas também é verdade que não existe uma política social sólida sem uma economia forte e competitiva. Portugal precisa de uma estratégia macroeconómica que volte a colocar as empresas no centro do desenvolvimento nacional. Durante demasiado tempo, faltou uma visão que promovesse o investimento, reduzisse os entraves burocráticos e fiscais e criasse condições para que as empresas pudessem crescer, inovar e competir nos mercados internacionais.

O país deve apostar num verdadeiro Projeto de Inovação para a Indústria, baseado na ciência, na tecnologia, na digitalização, na criação de marcas próprias, no registo de patentes e na valorização da propriedade intelectual. É produzindo bens e serviços de maior valor acrescentado que conseguiremos aumentar a competitividade da economia, criar riqueza sustentável e oferecer empregos mais qualificados e melhor remunerados.

Importa dizê-lo com clareza: não há qualquer problema nas empresas terem lucro. Pelo contrário. Empresas sólidas e lucrativas investem mais, inovam, internacionalizam-se e criam melhores empregos. O objetivo não é penalizar quem cria riqueza, mas garantir que essa riqueza beneficia toda a sociedade. Quando as empresas crescem de forma sustentável, os trabalhadores têm melhores salários, o Estado arrecada mais receita sem aumentar impostos e as famílias vivem com maior estabilidade e confiança no futuro.

Portugal tem todas as condições para crescer mais e melhor. O que falta é uma estratégia que una competitividade económica, inovação e justiça social. Só assim será possível aliviar o custo de vida, reforçar o poder de compra, criar emprego de qualidade e devolver esperança às famílias portuguesas.

Porque um país não se mede apenas pelo crescimento do seu PIB. Mede-se, acima de tudo, pela capacidade de garantir que quem trabalha consegue viver com dignidade, construir um futuro e acreditar que o esforço compensa. É essa ambição que Portugal precisa de voltar a ter.

Diário de Notícias
www.dn.pt