Tony Carreira cantou uma, duas, dez canções e ela, implacavelmente patética, sentada na primeira fila de um espetáculo em Alcoutim, insistia na provocação – de polegar para baixo e armada com o seu melhor riso de escárnio, tentou que o cantor se desconcentrasse. Tony interrompeu as cantigas e falou para ela: “A senhora está na primeira fila e deveria ceder o seu lugar a alguém que goste das minhas canções. Se veio cá de propósito para fazer isso, é porque tem uma alma que não é grande coisa”.
O que leva alguém a sentar-se na primeira fila de um espetáculo para gozar? O que leva alguém a insultar quem não conhece nas redes sociais ou na vida em geral? O que os mobiliza? O que os excita? A resposta é complexa, mas tem uma base comum: uma mistura explosiva entre maldade e ignorância atrevida. O sucesso na vida das pessoas comuns é hoje determinado, muitas vezes, pela consequência do que fazem ou dizem entre os seus seguidores, poucos ou muitos, não interessa. Mesmo que sejam meia dúzia de gatos pingados, são determinantes para a construção de uma vida, de um eco.
Tony tem razão. A alma daquela pessoa não é grande coisa. A alma dos que preferem ser erva daninha, dos que vivem em função de magoar, de ferir ou de humilhar, precisa de ser transplantada por um cirurgião que, infelizmente, não está disponível em nenhum hospital do mundo. Há pessoas más como as cobras. Sempre houve, mas agora perderam a vergonha. Saíram do armário e julgam-se importantes quando apenas amplificam o quanto são doentes e dignos de pena.