O relatório da nossa responsabilidade sobre a primeira Estratégia da União Europeia (UE) para o Combate à Pobreza foi aprovado por uma ampla maioria no Parlamento Europeu. Dos deputados portugueses, apenas se excluíram desse apoio os deputados da Iniciativa Liberal (que se abstiveram) e do Chega (votando contra).A aprovação deste relatório dá um sinal político forte quanto aos objectivos e prioridades a considerar naquela Estratégia, sendo também uma afirmação clara de que a resposta aos problemas económicos e sociais que atingem a vida dos povos tem de ser uma prioridade política.O texto do relatório não esgota o conjunto de políticas e medidas a considerar no âmbito do combate à pobreza, mas ele constitui um ponto de partida robusto para as reivindicações políticas a dirigir à UE e aos governos nacionais.O relatório parte da consideração de que o combate à pobreza tem de ser feito com políticas que garantam uma justa distribuição da riqueza e que dêem concretização aos Direitos Humanos enquanto direitos políticos, económicos, sociais e culturais, garantindo o seu carácter universal e indivisível.Apontando ao objectivo da erradicação da pobreza no espaço da UE até 2035, o relatório sublinha a necessidade de uma abordagem global e integrada, que enfrente a pobreza nas suas múltiplas dimensões, sem compartimentar ou segmentar a resposta.Propondo que o combate à pobreza seja assumido como critério transversal a todas as políticas sectoriais, reclama a correcta articulação dos diversos níveis de responsabilidade política, bem como um financiamento adequado, com a mobilização do Orçamento da UE e dos Orçamentos nacionais.O relatório sublinha ainda a necessidade de assegurar mecanismos adequados para garantir a participação política das pessoas em situação de pobreza na definição e avaliação das políticas que lhes são dirigidas, bem como na sua implementação.O texto prevê um conjunto amplo e diversificado de medidas em diferentes âmbitos.Destaca-se a defesa de políticas de promoção do pleno emprego, salários justos, melhoria das condições de trabalho, conciliação entre a vida familiar e profissional. Mas prevê-se também o direito à habitação, incluindo a urgência e as medidas específicas para erradicar a situação de sem-abrigo. Tal como o investimento em serviços públicos universais e de qualidade que garantam o acesso a cuidados de Saúde, à Educação, à protecção social, à cultura, aos transportes, às comunicações, à energia, a um ambiente ecologicamente equilibrado.O relatório afirma ainda o combate necessário às discriminações económicas e sociais que deixam mais expostas e vulneráveis à pobreza as mulheres, os idosos, as pessoas com deficiência, comunidades e minorias étnicas, entre outros exemplos. E propõe ainda medidas específicas visando o combate à pobreza infantil.A pobreza não se erradica por decreto, mas combate-se com políticas dirigidas a esse objectivo. Este relatório dá um contributo nesse sentido. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico