Por uma vez, Trump falou “bem!’’ No Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse: “O que estamos a fazer aqui? Isto supostamente é para ser divertido? Supostamente devo ser sério?” Chamou ao evento “muito pior do que eu realmente pensava.”O jantar foi uma repetição depois de o original, em abril, ter sido interrompido quando um homem armado invadiu o recinto, de alta segurança, e disparou vários tiros antes de ser dominado por agentes dos Serviços Secretos.Trump disse então que tinha de ser marcada uma nova data para um evento “maior e melhor”, prometendo fazer um discurso “muito” agradável.O evento foi transferido para o Hotel Waldorf Astoria, em Washington D.C., outrora uma propriedade de Trump.No seu discurso de uma hora, Trump voltou a atacar pessoalmente os jornalistas e classificou os meios de comunicação social críticos das suas políticas como “fake news”.Portanto, nada de novo do lado de Trump.Mas e os jornalistas?Posso dizê-lo porque participei em três destes jantares e fui ficando cada vez mais desconfortável, especialmente no último, quando um comediante destruiu, de forma vulgar, a então secretária de imprensa de Trump, Sarah Sanders, atualmente governadora do Arkansas, que representava a Administração no jantar.Na noite de sexta-feira, a tentativa dos jornalistas de resolver o seu desacordo com Trump pareceu um “duelo falhado”.O jantar dividiu os meios de comunicação social:“Acreditamos que é hipócrita celebrar a Primeira Emenda perante o homem que a ataca incansavelmente”, escreveu uma coligação de grupos de defesa da liberdade de imprensa, numa referência ao direito constitucionalmente protegido à liberdade de expressão.O jantar teve lugar poucos dias depois de Trump ter chamado às cadeias NBC e ABC “fake news” e de ter dito que as suas licenças deveriam ser revogadas.Aconteceu também depois da tentativa falhada de a Administração intimar jornalistas do The New York Times que revelaram preocupações de segurança sobre o novo Air Force One de Trump, oferecido pelo Qatar.Durante o jantar, jornalistas frequentemente visados por Trump foram homenageados com prémios.Uma equipa do The Wall Street Journal recebeu um prémio pelo seu trabalho sobre a relação passada de Trump com Jeffrey Epstein. A reportagem levou Trump a apresentar um processo de 20 mil milhões de dólares contra o jornal, que mais tarde foi impedido de viajar no Air Force One.Enquanto os jornalistas vinham premiados, Trump levantou as mãos no ar de forma teatral.O New York Times deixou de participar como entidade corporativa em 2007, afirmando que o evento prejudicava a perceção da sua independência.Trump protestou contra o jantar durante o seu primeiro mandato.O outro presidente que boicotou o jantar e chamou à imprensa “o inimigo do povo” foi Richard Nixon, depois da batalha em torno dos Pentagon Papers, em 1972.O The Washington Post ganhou um Prémio Pulitzer pela sua cobertura jornalística que ajudou a derrubar Nixon. O seu lema é: “A Democracia morre na escuridão.”Está na altura de acordar, antes que a democracia morra no salão de baile.