A transparência é um dos aspectos mais importantes no grau de desenvolvimento de uma democracia. Um país conseguir escrutinar, através da comunicação social ou de outras instituições, toda a vida política é vital para uma democracia saudável.Conhecer as contas dos partidos, ter acesso a qualquer documento oficial, desde que isso não viole questões de segurança, haver clareza e transparência numa decisão judicial, existir veracidade nas contas públicas, saber em que os deputados ocupam o seu tempo para lá dos assuntos parlamentares, conhecer onde e com quem um qualquer primeiro-ministro ou um ministro passou ou passa as férias, ter a noção de que uma figura política de relevo tem uma vida que não vai além das suas possibilidades financeiras, nada disto é coscuvilhice. É transparência democrática. É o significado de que quem gere dinheiros públicos ou cria e executa legislação nacional, o tem de fazer com uma elevado grau de clareza e equilíbrio visível aos olhos de todo o país.Portugal está mal classificado nos indicadores ligados à corrupção e confiança nas instituições. Isso tem-se degradado nos últimos anos. No Índice de Percepção da Corrupção de 2025, o nosso país obteve 56 pontos em 100, ficando assim na 46.ª posição mundial, muito abaixo da média da Europa Ocidental e da União Europeia. Na União Europeia a média dos Índices de Percepção da Corrupção apontam para 62 pontos em 100. Significa, assim, que Portugal está seis pontos abaixo da média da União Europeia.Se quisermos escolher exemplos internacionais de países com o maior grau de transparência democrática teremos, sem dúvida, de viajar até à Suécia. Nos índices que temos vindo a analisar a Suécia tem 80 pontos em 100. Na Suécia a transparência é uma velha e salutar prática baseada no princípio de uma publicidade total nos actos e decisões governamentais. A sua legislação sobre a matéria nasceu em 1776 e foi amadurecida ao longo dos anos. Qualquer pessoa - incluindo os cidadãos estrangeiros – pode solicitar qualquer documento oficial de instituições públicas. Um qualquer cidadão sueco tem acesso aos impostos pagos e rendimentos declarados. Os partidos têm de apresentar relatórios financeiros das suas contas e tornar públicas as doações que recebem. A legislação sueca protege os funcionários públicos que revelem irregularidades suspeitas e de interesse público.No Parlamento há um registo obrigatório de participações empresariais possuídas por deputados, cargos externos e actividades profissionais. E tudo está acessível para qualquer cidadão que os queira consultar.A informação sobre os actos do governo está, facilmente, acessível, em formato aberto, permitindo assim aos órgãos de comunicação social uma consulta imediata dando consistência à liberdade de imprensa. Qualquer cidadão pode apresentar uma queixa que será analisada por uma entidade parlamentar (Ombudsmen) vocacionada para o efeito.A Suécia e a Noruega são exemplos de países com um elevado grau de transparência democrática para os quais nada perdemos em estudar e analisar.Por cá sabemos que as coisas ainda estão num patamar inferior relativamente aos dois países nórdicos referidos.A existência de associações como a Maçonaria ou a Opus Dei contribuem para uma enorme grau de opacidade na sociedade portuguesa. A tendência dos sucessivos governos para não serem, completamente, transparentes nas decisões que tomam afastam-nos dos exemplos nórdicos que falámos atrás.O primeiro-ministro é um homem sério e já foi ilibado de qualquer acção criminal na Spinumviva. Porquê, então, os sistemáticos recursos a impedir um conhecimento completo do seu contexto empresarial anterior ao cargo que hoje exerce? Quando é que, em nome de uma elementar transparência, ficamos a conhecer os montantes recebidos de cada cliente, os respectivos serviços prestados, os clientes ocasionais, se existiram, e os serviços prestados fora dos contextos contratuais? A divulgação destes aspectos dará um significativo contributo para uma maior transparência democrática e uma confiança acrescida em quem detém, actualmente, o poder.” Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico