Queijos, Café e Whisky da Índia? E mais!

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Num Mundial de Queijos do Brasil (2026), quatro tipos de queijos da Índia receberam altas referências e medalhas. O Eleftheria Mumbai Gulmarg recebeu a medalha Super Gold; o yak Churpi-Soft a medalha de Ouro, marcando agora a chegada de queijos indianos no mapa global. A culinária indiana sabe emparelhar o sabor do queijo com certa especiaria ou jagra, fazendo esses queijos muito versáteis para pratos apreciados pelos especialistas. 

Nas principais marcas de queijo contam-se AMUL, Britannia, Go Cheese e Milky Mist, que oferecem cheddar, mozzarella e em fatias. Há opções locais como Kodai, D’lecta, Eleftheria, e Aka Kalpa (cf. Google.com).

Já tinha acontecido isso com certas marcas de Café da Índia, premiadas nalguns certames na França, como o Araku Coffeee, com a Medalha de Ouro em 2018, produzido por uma grande Cooperativa nos Gates Orientais, perto de Hyderabad.

Indicam-se a seguir as marcas mais reconhecidas de Café da Índia, pela sua qualidade (cf. Google.com):

Alem do Araku Coffee, 100% orgânico, de uma só origemhá:

- Blue Tokai Coffee Roasters, amplamente reconhecida por popularizar o café de especialidade com diferentes propriedades, como o Bibi Plantation e o Attikan.

- Subko Coffee Roasters: focado em micro-lotes de alta qualidade e estética de design de embalagens diferenciada.

- KC Roasters (da Koinonia): populares por torras claras a médias, como o Red Honey e Elephant Hills, entre alguns outros.

Também variadas marcas de whisky, produzidas na Índia, ganharam notoriedade, vendendo-se a preços muito elevados em Londres e Nova Iorque l, sendo a maioria de single malt. Por exemplo  (cf. Google.com):

- Indri-Trini -Three Wood: de um malte amadurecido em três barris de primeira linha, conhecido pelas notas cítricas, caramelo e nozes.

- Indri Agneya: vencedor de ouro em 2026 nos WorldWhiskeys Awards, oferecendo notas de baunilha, maçã torrada e fumo subtil.

- Amrut Fusion: um single malte muito aclamado, que utiliza cevada indiana e cevada escocesa turvada para um sabor complexo.

- Paul John Brilliance: Um single malte popular amadurecido em barricas de bourbon, com destaque para as frutas tropicais e as notas de cacau.

- Godawan (02): um whisky artesanal com a fase final fumada do Rajastão.

- Johnnie Walker Black Label: um whisky blended de primeira qualidade com um perfil rico, fumado em camadas.

Há uns anos ninguém se lembraria sequer de provar queijos ou Café da India e muito menos Whiskies! Porque havia sempre países que se notabilizaram com bons queijos, como a França ou a Suíça; com Café, haveria países Europeus colonizadores que dominavam o negócio, como a Itália ou a Bélgica. E nos whiskies claramente o Reino Unido, sobretudo a Escócia.  

Além destes três produtos muitos outros estão a aparecer, porque a população muito vasta e com interesses diversificados, também no âmbito da gastronomia, é capazes de apreciar e começar a produzir o que segundo o seu critério tem qualidade e sabor único e bem identificado. 

Junto com uma vasta população, há também uma camada muito rica e a classe média tem um poder de compra cada vez maior, querendo experimentar artigos exclusivos, que respondam aos seus requisitos de sabor.

Como aparecem muitos produtos com notoriedade quando há poucos anos nunca ninguém se lembraria da Índia? É que até ao começo da colonização britânica a Índia era o país mais rico do mundo. Veja o que dizem dois autores ingleses:

-Angus Maddison afirma que a India foi o país mais rico até ao século XVII. Declara, além disso que a Índia produzia 27% da riqueza mundial em 1700 (face aos 23% de toda a Europa), e só 3% em 1950.

- William Dalrymple afirma que em 1600 a India era a região mais rica do mundo, com 22,5% da riqueza mundial. Em 1870, após a cedência do poder da East India Company para a Coroa Britânica (em 1858), a Índia ficou mergulhada em fome pobreza e miséria, enquanto o Reino Unido enriquecia-se com as “jóias da coroa”.

A riqueza da Índia é a razão porque os Portugueses, próximo de 1500, com a sua arte de marinharia muito desenvolvida, fossem à Índia, por novos caminhos, furtando-se aos controlos e pagamentos de taxas instalados para quem seguia as vias normais pelo Mar Vermelho ou pelo Mediterrâneo, numa viagem longa, pejada de oportunistas, com perigos de toda a ordem, propícios para ganhar com as elevadas taxas de travessia.

É no seculo XVI que se dá o apogeu da transferência de riqueza da Índia para a Europa por via do Cabo da Boa Esperança, com caravelas portuguesas carregadas de especiarias, de sedas e diamantes da Índia, vendidos a altos preços na Europa, com o Comércio agora controlado de Lisboa. 

Note-se que não apenas a arte da marinharia, mas sobretudo a incrível coragem de desafiar o desconhecido dos mares, dos ventos, das doenças típicas de quem se alimenta de produtos não frescos, por longas temporadas. Dentro do espírito científico de conhecer e dominar os ventos, as correntes e a orografia, também era imperioso desafiar os perigos desconhecidos das gentes e das doenças. Foi como os Portugueses fizeram e chegaram a ser senhores dos mares, do Atlântico ao Índico e Pacifico, controlando praças onde o comércio se realizava em grandes quantidades, quer em Goa ou Ormuz e Malaca.

Que outros produtos naturais ou elaborados estão hoje a ganhar força no Ocidente, provindos da Índia, para os bons apreciadores deles? Em primeiro lugar, os produtos agrícolas mais conhecidos, que não há na Europa e que vão tendo fama, como a saborosa manga - nas suas múltiplas variedades seleccionadas e depois multiplicadas, como a manga Alfonso (provavelmente com o nome do Missionário que se dedicou a isolar uma variedade muito apreciada),muito densamente  plantada em Ratnagiri (perto de Goa) e outras variedades vendidas a bons preços, como a Malcorada, Kesar, Fernandino, Monserrate, etc. 

A Índia é o maior produtor de manga, contribuindo com mais de 50% do total mundial da produção, que chega aos 25 milhões de toneladas (MT) anuais. Há uma crescente exportação para os EUA, UK, países do Golfo, etc.

A Índia é também o maior produtor de banana, com mais de 26% mundial, ou seja de mais de 35 MT, sobretudo para o consumo interno e alguma exportação, da variedade Cavendish.

Os primeiros europeus a conhecerem a banana foram os portugueses, que a encontraram na África Ocidental no século XV. Levaram-na para as Ilhas do Atlântico, como Madeira e Canárias, e depois para o Brasil e o Caribe.

A Índia é o maior exportador global de produtos agricolas, de cerca de US$ 51.000 milhões em 2025, sobretudo de arroz (40% do valor transaccionado), especiarias, produtos marinhos, açúcar e crescentemente alimentos processados e de valor acrescentado. As exportações mais significativas são de arroz, Basmati e non-Basmati, amendoim, farinha de óleo, fruta e vegetais para mercados como os EUA, UAE, China, etc. (cf.Google.com).

A Índia é fundamentalmente um país de tecnologias, sobretudo de Informação, ocupando mais de 5,8 milhões de especialistas, que atraiu muitos GCC-Global Capability Centres, mais de 2100, de Multinacionais de todo o mundo, devido à enorme especializacao da Índia em TI e à abundância de talento para a nova era da digitalização, da IA, da Robótica, pela qual querem enveredar.

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