A crise no Médio Oriente está a deteriorar-se rapidamente; a paz está presa por frágeis fios que ameaçam quebrar-se a qualquer momento. As conversações em Viena, entre os Estados Unidos e o Irão, relacionadas com o acordo sobre o programa nuclear iraniano, entraram num impasse. A administração de Donald Trump, por intermédio do vice-presidente J.D. Vance, lançou um ultimato ao Irão: “têm duas semanas para chegar a um acordo”.Qualquer diplomata sabe que conversações sobre matérias desta magnitude precisam de tempo. Os americanos, com este comportamento, mostram uma clara intenção de realizar uma campanha ofensiva com o objetivo de decapitar a liderança iraniana e promover uma mudança de regime no Irão. Na perspetiva de Teerão, o envolvimento diplomático é feito em termos de oportunidade e de ganhar tempo, e não como um esforço genuíno para resolver o impasse.Há um evidente aumento das atividades de vigilância e de inteligência, bem como uma clara preparação militar para um ataque dos EUA ao Irão, e não como uma postura puramente simbólica.Há uma visível projeção do poder aéreo americano: cerca de uma centena de aviões de combate da Força Aérea dos EUA dirigem-se para o Médio Oriente, incluindo F-22, F-35, F-15, F-16 (alguns dos mais modernos aviões de combate do mundo), aviões AWACS e aeronaves de reconhecimento U-2. A Marinha dos Estados Unidos mantém no Estreito de Ormuz dois porta-aviões com mais de duzentos aviões de combate.Numa perspetiva clássica, a concentração de uma força desta magnitude é um claro indicador de um ataque altamente provável ao Irão. Contudo, como é sabido, o presidente Trump é considerado volátil e imprevisível, reagindo frequentemente por humores passageiros e não com base em estratégias fundamentadas. Ainda assim, especialistas internacionais afirmam que a probabilidade de um ataque é elevada.O ataque a alvos no Irão será exclusivamente uma campanha aérea devastadora que poderá durar semanas. Logicamente, toda a campanha deverá ser coordenada com a Força Aérea israelita, uma das mais capazes e modernas do mundo.Para o sucesso da campanha, os americanos deverão obter atempadamente uma situação aérea favorável. Para os não-especialistas, superioridade aérea é a situação em que a força atacante tem vantagens no controlo do espaço aéreo, o que lhe permite realizar operações com menor interferência do inimigo.Se os ataques acontecerem, a campanha aérea beneficiará dos ataques israelitas anteriores no Irão, onde o sistema de defesa aérea iraniano, incluindo mísseis e radares, foi fortemente degradado e destruído por ações israelo-americanas. O sistema de defesa aéreo iraniano é baseado em radares e mísseis russos, particularmente o conhecido míssil S-300, considerado sofisticado e moderno, mas que terá sido superado por tecnologia ocidental em conflitos recentes, como o da Ucrânia.Estranhamente — ou talvez não — a Irmandade Muçulmana volta a não funcionar em apoio de Teerão. É evidente o receio de muitos países sunitas quanto à ameaça xiita às suas soberanias. A maioria dos aviões da USAF encontra-se estacionada na base jordana de Muwaffaq Salti e também na base aérea de Al Udeid, no Qatar. Esta base funciona como centro logístico e de comando e controlo de operações aéreas.A Base das Lajes continua a ser de grande importância para a projeção do poder aéreo americano no Médio Oriente. Foi assim em 1990/91, na Operação Desert Shield/Desert Storm no Iraque, e em 2001, na Operação Enduring Freedom no Afeganistão.