‘Rentrées’ e mercearia política

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Mercearia política foi ao que assistimos nas rentrées do PSD e PS.

Um remetendo para Cavaco Silva e o outro para Guterres, parecem ambos ter muito pouco a dizer ao país.

Montenegro esgotou o discurso com um relambório sobre o que tem andado a fazer, sem falar do que é essencial para os portugueses: Saúde, Habitação, Justiça.

Depois aquela questão da censura moderna. Censura moderna? Mas Montenegro com a tarimba política que tem não sabe que não compete ao jornalismo independente fazer propaganda das medidas do Governo. O Executivo que trate de anunciar convenientemente o que vai fazendo. Se não consegue eficácia, que mude de conselheiros de imprensa ou de empresa de comunicação.

O jornalismo independente serve para fazer o escrutínio. E fazer o escrutínio é justamente referir o que o governo não fez, fez mal, a falta de ética, os erros, and so on.... Mas julgo que Montenegro sabe isto muito bem.

Depois não vale a pena atirar-nos com estatísticas à cara, conforme fez no Pontal. Já vimos esse filme com António Costa. E não resultou. A estatística nada pode contra a realidade. Não adianta muito dizer que foram construídas 28 mil casas quando o português médio continua sem conseguir encontrar uma habitação para morar a preço aceitável.

Montenegro perdeu o ímpeto reformista que tinha. Está sem rasgo. Como diz uma amiga minha, mas que saudades que temos dos barões do PSD que eram homens de projecto que olhavam o país à distância de uma década.

Não, definitivamente, a actual direcção do PSD não consegue ir além da mercearia política.

E José Luís Carneiro parece padecer do mesmo mal. De que adianta falar de Guterres e lembrar 1995, quando não nos aponta um desígnio nacional. Guterres escolheu a Educação. O José Luís Carneiro escolheu o quê, nesta rentrée? Mercearia política. Qual é problema de o Governo ter adquirido 13,7% da REN? O PS não é a favor dessa compra? Não andou o tempo todo a criticar a privatização de sectores com funções de Estado? Então qual é o problema?

E depois o alegado secretismo do Governo nas nomeações para as chefias das secretas é assim uma coisa tão importante. Ou é só importante porque o Governo não falou com o PS sobre essas mesmas nomeações? Mais mercearia política.

José Luís Carneiro, se quiser conquistar o poder, tem de pensar o país a uma década. Tem, desde já, de começar a formatar propostas para resolver os constrangimentos nacionais. Corporizar desígnios nacionais para a próxima década. Não chega lembrar 1995 e Guterres. É preciso voltar a chamar os melhores. Cientistas, intelectuais, pensadores, empresários, dirigentes sindicais, economistas, que tragam novas ideias e acrescentam mais-valias ao projecto do PS e ao país. Apelar aos independentes, com valor, que dêem contributos importantes para a resolução dos problemas de Portugal. É disso que o todo nacional precisa. E começar já.

Este ano tivemos rentrées fracas, sem conteúdo político importante. É desolador o que se passa com a actual classe política, neste caso PSD e PS, que não consegue ir além da mera mercearia política.

Bem sabemos que estes são encontros partidários, mas estão imbuídos de um significado político que deve ser aproveitado para lançar novas ideias, outras propostas, falar dos temas que interessam ao povo português. Que não quer continuar a ter uma Justiça lenta e ineficaz, uma habitação cara e inacessível, uma Saúde com intermináveis horas de espera nas urgências e cirurgias, uma fuga de jovens e cérebros para o exterior. Projectos para o emprego dos mais jovens, medidas para dinamizar a economia e modernizar o país.

É isso que os portugueses querem ouvir nas rentrées políticas. E não meras questões de mercearia política como aconteceu este Verão com as iniciativas do Governo e do PS..

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico 

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