Reformar Portugal: a missão da IL

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Durante demasiado tempo, falar de reformas em Portugal foi um exercício de heresia política. Quem ousava sugerir mudanças estruturais no funcionamento do Estado, da economia ou das instituições era recebido com um misto de desconfiança, prudência e um argumento que se tornou clássico na nossa vida pública: “Não é o momento.”

Entretanto, os anos passaram, os problemas ficaram e acumularam-se. O cálculo político e o receio de perder as próximas eleições deram lugar à lógica de “o próximo que resolva”, o que marcou demasiadas decisões políticas.

Por isso, o surgimento da Iniciativa Liberal foi determinante para introduzir a agenda reformista na política portuguesa e abrir espaço para que a necessidade de reformas estruturais ocupasse um lugar central no debate público.

De repente, todos parecem reconhecer que o país precisa de mudar. Ora, é aqui que está o problema, porque se tantos já fizeram o diagnóstico, praticamente ninguém tem coragem política para agir em conformidade. Coragem política que lhes falta porque não têm vontade e, sem esta, não é claro o que pretendem. Os inúmeros planos e anúncios com que nos inundam são a prova disso mesmo. Da sua falta de capacidade.

Portugal precisa de vontade, de clareza nas ideias e de coragem para agir. Porque talento, ambição e capacidade não faltam ao país. Vemos esse fosso de vontades que separa os cidadãos dos governantes quando jovens qualificados precisam de procurar oportunidades lá fora para construir a vida que gostariam de ter cá dentro. Quando quem quer investir encontra um labirinto de burocracia e desiste. Quando trabalhar mais ou arriscar mais é, demasiadas vezes, pouco recompensador.

Mas este não é apenas um diagnóstico sobre o que está mal. É, sobretudo, uma conversa sobre o que pode e deve ser feito melhor.

Reformar não é destruir. É melhorar. É olhar para as instituições, para o seu funcionamento, para as políticas públicas, para as regras instituídas e perguntar, sem medo: isto ainda serve as pessoas? Está a ajudar o país a avançar?

Precisamos de um Estado ágil, que se concentre no essencial e funcione bem. Precisamos de uma economia mais aberta, que valorize o mérito, a inovação e o trabalho. Precisamos de uma economia mais diversificada, não tão centrada no turismo e na restauração. Ora, isso só se consegue com mais liberdade económica e reformas fiscais, laborais, no arrendamento e na justiça. Mudanças para que voltemos a acreditar que Portugal pode ser um país onde vale a pena arriscar, criar e construir um futuro.

Este é o debate político da IL que não alimenta o pessimismo, mas que é fruto de quem percorre o país e se depara com outra realidade. Um Portugal feito de empresários que não desistem, trabalhadores que querem fazer mais e de jovens cheios de ideias novas.

Há demasiado tempo que Portugal se habituou a menos do que merece. Portugal não precisa de se resignar. Pode e deve ambicionar mais.

Diário de Notícias
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