“Queremos paz, pão e o direito à habitação”

João Oliveira

Eurodeputado pelo PCP

Publicado a: 

Esta foi uma das palavras de ordem do grande desfile que se realizou no Porto, no passado domingo.

Aquela fórmula reivindicativa é plenamente acertada e atual.

Ela encerra o sentido da luta pela paz num mundo marcado pelas consequências da guerra e os perigos da sua escalada, o sentido da luta por melhores salários contra as desigualdades, o sentido da luta dos povos pelos seus direitos e por melhores condições de vida.

A luta pela paz, por direitos, por salários justos é uma luta que une povos de diferentes pontos do mundo, em diferentes circunstâncias e de diferentes realidades nacionais. De Cuba à Palestina, do Saara Ocidental ao continente europeu ou à América Latina.

Essa luta une povos que se batem contra o imperialismo norte-americano que espezinha a soberania, que usa a guerra como instrumento para manter o seu domínio hegemónico, que promove uma política de saque e pilhagem de recursos, de intensificação da exploração de quem trabalha, de agudização das desigualdades e injustiças sociais, de negação das mais básicas condições de vida a uma parte significativa da Humanidade.

A luta pela paz, por direitos, por salários justos une os povos que se batem contra as políticas neoliberais, federalistas e militaristas da União Europeia. Políticas que confirmam a União Europeia como um espaço de domínio das potências europeias e das multinacionais, configurado à medida dos seus interesses e em contradição com os direitos de quem trabalha, com a soberania dos povos, com um ambiente ecologicamente equilibrado, com o desenvolvimento nacional. Políticas marcadas pela confrontação e pela vertigem da guerra, que desviam para o militarismo e a indústria do armamento os recursos financeiros que fazem falta para a resposta aos problemas que atingem a vida dos trabalhadores e dos povos.

A luta pela paz, por direitos, por salários justos é a luta em que se encontram os povos que reclamam políticas nacionais que distribuam com justiça a riqueza criada por quem trabalha, que garantam como direitos universais o direito à habitação, à saúde, à educação, à cultura. Políticas que aproveitem recursos e capacidades produtivas para garantir o desenvolvimento nacional, o progresso e a melhoria das condições de vida.

O povo português não está à margem dessa dinâmica. Pelo contrário, tem dado um contributo assinalável para essa dinâmica mais geral.

A vitória que os trabalhadores alcançaram com a derrota do pacote laboral é um dos exemplos mais visíveis do contributo dado a partir de Portugal.

Na situação que atravessamos, a luta contra o aumento do custo de vida, pelo aumento dos salários, pelo direito à habitação ou à saúde assumem lugar de destaque.

Sendo reivindicações prioritárias para o povo português, são também elementos de convergência com a luta que travam outros povos. E trazem com elas verdades universais.

Sem paz não há futuro.

Sem direitos não há democracia.

Sem salários justos não há justiça social.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

Diário de Notícias
www.dn.pt