Esta foi uma das palavras de ordem do grande desfile que se realizou no Porto, no passado domingo.
Aquela fórmula reivindicativa é plenamente acertada e atual.
Ela encerra o sentido da luta pela paz num mundo marcado pelas consequências da guerra e os perigos da sua escalada, o sentido da luta por melhores salários contra as desigualdades, o sentido da luta dos povos pelos seus direitos e por melhores condições de vida.
A luta pela paz, por direitos, por salários justos é uma luta que une povos de diferentes pontos do mundo, em diferentes circunstâncias e de diferentes realidades nacionais. De Cuba à Palestina, do Saara Ocidental ao continente europeu ou à América Latina.
Essa luta une povos que se batem contra o imperialismo norte-americano que espezinha a soberania, que usa a guerra como instrumento para manter o seu domínio hegemónico, que promove uma política de saque e pilhagem de recursos, de intensificação da exploração de quem trabalha, de agudização das desigualdades e injustiças sociais, de negação das mais básicas condições de vida a uma parte significativa da Humanidade.
A luta pela paz, por direitos, por salários justos une os povos que se batem contra as políticas neoliberais, federalistas e militaristas da União Europeia. Políticas que confirmam a União Europeia como um espaço de domínio das potências europeias e das multinacionais, configurado à medida dos seus interesses e em contradição com os direitos de quem trabalha, com a soberania dos povos, com um ambiente ecologicamente equilibrado, com o desenvolvimento nacional. Políticas marcadas pela confrontação e pela vertigem da guerra, que desviam para o militarismo e a indústria do armamento os recursos financeiros que fazem falta para a resposta aos problemas que atingem a vida dos trabalhadores e dos povos.
A luta pela paz, por direitos, por salários justos é a luta em que se encontram os povos que reclamam políticas nacionais que distribuam com justiça a riqueza criada por quem trabalha, que garantam como direitos universais o direito à habitação, à saúde, à educação, à cultura. Políticas que aproveitem recursos e capacidades produtivas para garantir o desenvolvimento nacional, o progresso e a melhoria das condições de vida.
O povo português não está à margem dessa dinâmica. Pelo contrário, tem dado um contributo assinalável para essa dinâmica mais geral.
A vitória que os trabalhadores alcançaram com a derrota do pacote laboral é um dos exemplos mais visíveis do contributo dado a partir de Portugal.
Na situação que atravessamos, a luta contra o aumento do custo de vida, pelo aumento dos salários, pelo direito à habitação ou à saúde assumem lugar de destaque.
Sendo reivindicações prioritárias para o povo português, são também elementos de convergência com a luta que travam outros povos. E trazem com elas verdades universais.
Sem paz não há futuro.
Sem direitos não há democracia.
Sem salários justos não há justiça social.
Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico