Num momento em que se assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, importa recordar que esta não é apenas uma celebração da nossa História ou da nossa identidade coletiva. É, acima de tudo, uma oportunidade para refletir sobre o país que somos e sobre o país que queremos deixar às próximas gerações.Portugal não se resume ao seu território. Portugal são os milhões de portugueses que vivem, trabalham, criam família e constroem diariamente o futuro da Nação. São aqueles que permanecem na sua terra, muitas vezes enfrentando dificuldades crescentes, mas também aqueles que partiram em busca de uma vida melhor sem nunca esquecerem as suas origens.As Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo são um dos maiores ativos do nosso país. Ao longo de décadas, centenas de milhares de portugueses emigraram, levando consigo a sua capacidade de trabalho, a sua dedicação e o orgulho de serem portugueses. Muitos construíram vidas de sucesso além-fronteiras, mas continuam ligados a Portugal através da língua, da cultura, das tradições e dos laços familiares.Mas é impossível ignorar que, ainda hoje, muitos jovens continuam a sentir que precisam de sair do país para encontrar oportunidades que Portugal não lhes consegue oferecer. Esta realidade deve preocupar-nos. Um país que vê partir os seus filhos mais qualificados não pode resignar-se nem conformar-se com essa perda.Ao mesmo tempo, aqueles que ficam enfrentam desafios cada vez maiores. O acesso à habitação tornou-se um problema dramático para milhares de famílias. O custo de vida continua a aumentar. Os salários permanecem insuficientes para responder às exigências do dia a dia. Muitos portugueses trabalham uma vida inteira sem conseguirem alcançar a estabilidade e a segurança que merecem.É precisamente por isso que falar de Portugal não pode ser apenas um exercício de memória ou de celebração. Falar de Portugal é falar dos portugueses. É falar das famílias que lutam para pagar a prestação da casa ou a renda ao final do mês. É falar dos jovens que adiam projetos de vida porque não conseguem comprar habitação. É falar dos reformados que veem o seu poder de compra diminuir. É falar daqueles que trabalham todos os dias e sentem que o seu esforço não é devidamente recompensado.Portugal precisa de políticas que coloquem os portugueses em primeiro lugar. Precisa de respostas concretas para a crise da habitação, de medidas que protejam o poder de compra das famílias e de uma estratégia que permita fixar talento, criar riqueza e garantir oportunidades para quem quer construir o seu futuro no nosso país.Mais do que discursos simbólicos, os portugueses esperam ação. Esperam liderança. Esperam que os responsáveis políticos estejam à altura dos desafios do presente.O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas deve servir precisamente para isso: para recordar que a força da nossa Nação sempre esteve nas pessoas. Nos portugueses que nunca desistiram, nos que ficaram, nos que partiram e nos que continuam a acreditar que Portugal pode e deve fazer mais por quem o constrói todos os dias.Porque Portugal não é apenas uma bandeira ou uma data comemorativa. Portugal faz-se dos portugueses, dos que ficam e dos que partiram. Dos que trabalham, dos que empreendem, dos que criam famílias, dos que lutam diariamente para construir uma vida melhor para si e para os seus.É por eles, e por Portugal, que continuaremos a defender políticas que coloquem os portugueses em primeiro lugar, que valorizem o trabalho, protejam as famílias e devolvam esperança a quem sente que o país pode fazer mais e melhor.É por isso que estamos ao vosso lado. Porque defender Portugal é, acima de tudo, defender os portugueses, e Portugal faz-se de portugueses.