A ofensiva agressiva do imperialismo norte-americano espalha guerra e destruição pelo mundo. A agressão dos EUA e Israel ao Irão tem consequências económicas à escala global, incluindo com as disrupções no fornecimento de combustíveis.
A União Europeia (UE) mantém uma atitude de submissão aos EUA e actua em função dela. Perante as agressões militares, a ingerência, a grosseira violação do direito internacional por parte dos EUA, remete-se a posições de apoio e cumplicidade com essa actuação. Enquanto a Alta Representante da UE para a política externa, Kaja Kallas, repete, palavra por palavra (como um papagaio), os pretextos fabricados por Trump sobre pretensões iranianas a ter armas nucleares, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, derrama lágrimas artificiais ao enunciar que a subida dos preços aumentou os custos com combustíveis na UE em 90 mil milhões de euros "sem acrescentar uma única molécula de energia".
Os grupos económicos e as multinacionais banqueteiam-se com o aumento dos seus lucros (já antes milionários…) usando a guerra como pretexto. Os povos pagam a factura com o aumento dos preços e a degradação das suas condições de vida. A UE não mexe uma palha para travar a acção dos EUA que arrasta atrás de si este surto inflacionário, protege os interesses dos grupos económicos e das multinacionais recusando políticas para travar o aumento do custo de vida e ainda acrescenta mais um conjunto de dificuldades com alterações às regras da designada “governação económica”.
A “governação económica” é um conjunto de mecanismos de condicionamento da soberania nacional que retira aos estados importantes instrumentos de política económica e dá à UE a capacidade de determinar a orientação das políticas em praticamente todos os domínios da vida nacional, incluindo pelo condicionamento das políticas orçamentais. Ela tem servido para a UE impor políticas neoliberais e de ataque aos direitos dos trabalhadores e dos povos, incluindo sob a ameaça de aplicação de sanções aos estados que não se submetam às suas imposições.
Numa situação de aumento significativo do custo de vida como aquele que estamos a viver, a intervenção dos estados é absolutamente decisiva. São necessárias políticas de aumentos de salários e pensões e medidas de controlo e fixação de preços da energia, dos combustíveis, dos custos com a habitação e outros bens essenciais. Políticas que defendam as condições de vida dos trabalhadores e dos povos, algumas com impactos orçamentais.
Os governos nacionais só avançarão nesse sentido se os povos para aí os empurrarem. E quando era preciso dar esse passo, a UE aponta a navalha da governação económica e ameaça “ai de quem se atreva”.
Nesta batalha como nas brigas da rua, tirar a navalha ao rufia é o primeiro passo para o derrotar.