O caso Epstein, mistura de corrupção, vício, deboche e arrogância dos poderosos deste mundo, tem varrido transversalmente as elites. Entre os clientes dos favores de Jeffrey há de tudo - desde um irmão do rei de Inglaterra, a importantes figuras da política e da finança americana.Claro que, a julgar pelos media, dir-se-ia que Donald Trump, não podendo já ser o único, era, pelo menos, o principal frequentador dos círculos viciosos do grande corruptor - daí o seu esforço para impedir a franca divulgação de documentos, rasurando-os para que não o comprometessem.Dá-se, porém, que, durante a Administração Biden, o Departamento de Justiça e o procurador-geral, Merrick Garland, tinham ao seu dispor todos os arquivos de Epstein e ainda intocados... Alguém acredita que, se houvesse alguma coisa de grave contra Trump, não a teriam usado no calor da luta eleitoral? Tanto que até o insuspeito New York Times o admite, no artigo "How Trump Appears in the Epstein Files", de 1 de Fevereiro de 2026.Entretanto, dos muitos amigos de Epstein, há dois particularmente curiosos e raramente referidos: o ícone intelectual Noam Chomsky e o ex-ministro de Miterrand, Jack Lang.Chomsky, um importante linguista e pensador da Esquerda radical e anticapitalista norte-americana, manteve uma relação próxima com Epstein, já depois de o predador ter sido exposto pelos seus crimes, prestando-se mesmo a dar-lhe conselhos: que guardasse silêncio perante “os abutres” da comunicação social porque, “com o clima vigente de histeria em relação ao abuso de mulheres, pôr em causa a veracidade de uma acusação” equivalia “a um crime pior que o assassinato”.No seu intento de reabilitação, Epstein chegou a divulgar uma carta em que Chomsky referia “as longas, profundas e proveitosas conversas” que com ele tinha tido. A verdade é que, a avaliar pela profusa troca de e-mails entre Epstein e Noam e Valeria Chomsky, as conversas, não sendo propriamente profundas, têm tudo para terem sido proveitosas: “Come to New York or Caribbean?" - pergunta Epstein - “Valeria’s always keen on New York. I’m really fantasizing about the Caribbean island” - responde o pós-marxista Noam Chomsky.Outro “profiteur” da amizade, do dinheiro e da intimidade de Epstein foi Jack Lang, ministro da Cultura de Mitterrand. A relação data de 2012, quando Epstein já tinha sido condenado por pedofilia, circunstância que, segundo o advogado de Lang, o seu cliente desconhecia, uma vez que, sendo francês, “não lia jornais americanos”...É sabido que os Lang têm um deslumbramento muito socialista por casas luxuosas pagas pelo contribuinte e apreciam o convívio com os super-ricos. Jean-Pierre Colin, em L’Acteur et le Roi, confidencia que quando chamou a atenção do casal para um estilo de vida susceptível de chocar os eleitores socialistas, a mulher, Monique, lhe respondeu: “Mas se não é para viver como vivemos, para quê chegar onde chegámos?”Além de dona desta sinceridade desarmante, Monique sempre foi uma mulher determinada: em 1989, quando o marido era ministro da Cultura, conseguiu para a filha, Caroline, um lugar de executiva na Maxwell Communication Corporation. Robert Maxwell, o pai de Ghislaine, a célebre mulher e “facilitadora” de Epstein, desviou muitas centenas de milhões de libras dos Fundos de Pensão que geria e foi mecenas de Lang na precisa altura em que, com Epstein, vendia armas para o Médio-Oriente. Maxwell era também socialista e foi deputado trabalhista de 1964 a 1970. O autor escreve de acordo com a antiga ortografia