O que é impossível para o homem, é possível para Deus

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O título deste artigo representa a resposta de Jesus, de acordo com Lucas 18:27. Esta importante mensagem ilustra bem a dimensão da fé e da crença pela grandeza e sabedoria divina. Afinal de contas, nós, os comuns mortais, temos muito para alcançar nesta breve passagem.

Há pouco mais de um ano, os lisboetas, portugueses e todas as nacionalidades que acudiram à capital com destino à Jornada Mundial da Juventude, tiveram o privilégio de ver ao vivo Sua Santidade, o Papa Francisco. Aí, cada pessoa pode experienciar pessoalmente a grandeza e serenidade do líder máximo do Vaticano.

O pontificado do Papa Francisco tem sido um sinónimo de progresso na Igreja Católica, sobretudo em vários temas considerados polémicos, delicados ou difíceis de tratar. Francisco é entendido como um agregador, motivo que traz alegria, esperança e conforto aos muitos católicos e não só.

Esses avanços permitiram que, nos últimos anos, um número significativo de crentes se tenham (re)aproximado da Igreja. Este corajoso trabalho de adaptação da Igreja Católica aos dias de hoje tem sido feito de forma contínua, moderada e segura.

Mesmo liderando a mudança e trabalhando assuntos sensíveis, nunca a bondade, os ensinamentos ou a palavra de Deus foram colocados em causa. Talvez porque nem o Papa deixa de ter um cariz humano e, como diz o provérbio, “errar, Humano é.”.

Passando agora ao prisma das relações da Igreja com os estados, a separação que se deu há séculos entre Estado e Igreja também “tem o seu quê” de sagrado e deve ser mantida. Já por isso a grande maioria das denominadas “democracias ocidentais” são laicas, sem que tal impeça que a maioria dos seus povos seja crente em Deus. Esse facto verifica-se em Portugal e (ao que hoje interessa) nos Estados Unidos da América.

No caso dos Estados Unidos, a separação entre Estado e Igreja é ainda mais flagrante. Perante um sistema maioritário e bipartidário, tanto Democratas como Republicanos são na sua maioria crentes em Deus, mesmo que não necessariamente católicos. Perante tal cenário, a separação entre Estado e Igreja deve ser ainda mais explícita.

Portanto, foi com grande estranheza que se escutaram as declarações do Papa Francisco sobre os candidatos à presidência americana, recomendando um mal menor no processo de escolha. Como é sabido, ambos os candidatos têm posições contrárias às da Igreja; um no que diz respeito aos migrantes da América do Sul; outro relativamente aos Direitos das Mulheres no que à Interrupção Voluntária da Gravidez concerne.

A separação entre Estado e Igreja nunca fez tanto sentido. Francisco, líder emblemático e querido para todos os católicos, e um pouco para todo o mundo, não ajudou em nada com o conselho que deu.

Primeiro, tratou-se de uma séria intromissão em assuntos que não dizem respeito à Igreja; segundo, demonstrou uma sobredimensionada falta de orientação ao referir “mal menor”. Trata-se de um processo de escolha que envolve um déspota populista sem respeito pela visão do todo em termos dos direitos mais básicos e universais.

Por fim, relembre-se que a vida da Igreja Católica americana não tem sido propriamente fácil, atendendo aos sucessivos escândalos e processos judiciais, o que vem neste caso comprovar o que se refere em Lucas 18:27: “O que é impossível para o homem, é possível para Deus”.

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