O engenheiro do caos, de nome André Ventura, volta a atacar. Não há limites nesta caminhada do Chega para atingir os seus tenebrosos objetivos. O rol de esquemas, que passam quase sempre por mentiras e imprecisões, parece não ter fim. De caminho, vai pegando fogo ao rastilho da desordem, como tem feito com a PSP. O seu negócio é a confusão, a maledicência, a gritaria, a maximização dos descontentes. As soluções, essas, estão ao nível do ridículo, como se constata com a anedota do seu programa eleitoral, que trata os portugueses como atrasados mentais..Neste percurso de impunidade, o Chega ousou chegar ao terreno das sondagens. No seu jornal, que está registado na ERC, pôs-se a divulgar os resultados de uma sondagem de uma empresa brasileira que não está credenciada para realizar aquele trabalho em Portugal. Também o fez nas redes sociais, em posts que, segundo muitas opiniões, replicam o grafismo da Rádio Renascença para enganar os leitores. De resto, um expediente a que já recorreu no passado. Quando confrontado com o cenário de ilegalidade, reagiu à sua maneira: “Se querem perseguir pessoas e perseguir partidos, estejam à vontade.” O homem que tudo e todos insulta a vestir a pele de virgem ofendida..O que há então de errado nesta sondagem? Primeiro, a forma como é apresentado o resultado. No site do Chega, a notícia tem por título: “Pela primeira vez sondagem apresenta empate técnico entre PS, AD e CHEGA para as legislativas”. Depois refere uma sondagem, sem dizer qual, por quem e quando. De seguida diz que não houve distribuição de indecisos, o que desde logo invalida qualquer conclusão. Para completar o ramalhete, refere que os resultados são 16,9% para o Chega, 21,4% para a AD e 21,1% para o PS. O leitor estará já a questionar-se de onde virá o alegado “empate técnico”. Como a margem de erro estimada da “sondagem” é, segundo a notícia, de 3,4 pontos percentuais, a diferença de 4,5 pontos que separa o Chega da AD teria de ser vencida pelo cenário imaginário de o resultado do primeiro estar no extremo superior da margem de erro e o resultado da segunda estar no extremo inferior. Para reforçar o embuste, a notícia caseira do Chega faz-se acompanhar de uma foto em que Ventura aparece em primeiro plano, com Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos atrás, numa simulação de um pódio eleitoral..Em segundo lugar, surge a questão de quem fez esta sondagem. O Instituto Paraná de Pesquisas não está credenciado para a realização de sondagens eleitorais em Portugal. Mas fê-lo e utilizou o subterfúgio de recorrer à Intercampus -- esta, sim, acreditada -- para o trabalho de recolha de dados. Este expediente pouco ajuda na causa, porque a interpretação dos dados e o relatório de resultados foi feito pelos brasileiros. A Intercampus alega que foi enganada e que havia o compromisso de não divulgação. Terá questionado a empresa brasileira e obteve como resposta “é uma prenda da família Bolsonaro para o André”. Jair Bolsonaro e André Ventura, bem entendido..Por fim, é de questionar quem encomendou a sondagem e o ardiloso modo da sua comunicação. A Intercampus não conhecia o currículo duvidoso da Paraná Pesquisas? Não suspeitou dos seus objetivos, ao contratar apenas a recolha de dados e chamar a si a produção dos resultados, ainda por cima sobre uma realidade portuguesa para a qual dificilmente teria modelos calibrados? E o que dizer da divulgação, em primeira mão, em sites brasileiros conotados como próximos de Jair Bolsonaro, para depois serem reproduzidos por cá pelo Chega?.O jogo sujo chega agora também às sondagens.