O Governo PSD/CDS não tem condições para governar. Não tem condições para governar pela política que faz, pelos problemas a que não dá resposta e que deixa avolumar, pelas promessas que faz de soluções para amanhã enquanto hoje as adia.Mas também não tem condições para governar pela situação de descrédito em que se afundou. O envolvimento em sucessivos escândalos de promiscuidade com interesses económicos e mistura entre negócios privados e exercício de funções públicas atinge o governo como um todo. A situação que envolve diretamente o Primeiro-Ministro - que é muito difícil de justificar porque não tem justificação possível - arrisca-se a ser transformada num foco de atenção que secundariza toda a ação governativa.A soma destas circunstâncias resulta num lodaçal político do qual não é possível vislumbrar saída com o atual governo e a atual composição da Assembleia da República. A impossibilidade de sustentação deste governo é, em si mesma, uma crise política e é da responsabilidade do Governo PSD/CDS e de quem tem apoiado e sustentado a sua política.A saída para a crise criada pelo Governo exige uma solução política em duas dimensões, na dimensão da substância da política e na dimensão institucional.Na dimensão da substância da política, impõe-se a criação de condições para uma política alternativa, que tenha como critério e referência a resposta aos problemas do País e do povo e não a satisfação dos interesses dos grupos económicos e financeiros e a promiscuidade com esses interesses.Na dimensão institucional, impõe-se a demissão do Governo e a convocação de eleições.Nesta dimensão, uma das possibilidades era ser o próprio Governo a retirar as devidas consequências da crise que criou, demitindo-se ou apresentando uma moção de confiança.O Governo decidiu não fazer nem uma nem outra coisa, fugindo às suas responsabilidades e tentando criar condições para continuar a governar. Se ninguém agisse, essa era a única consequência da declaração de Montenegro: todos os partidos criticariam o Governo e este continuaria a governar como se nada fosse.Ora, é aqui que a nitidez tem de se impor à opacidade e a seriedade tem de se sobrepor ao taticismo e calculismo eleitoralista.PSD e CDS estão colados ao poder e agem por taticismo e calculismo eleitoralista quando fogem às suas responsabilidades e tentam empurrá-las para outros agitando o papão da instabilidade. Mas também agem por taticismo e calculismo eleitoralista os partidos que se designam da oposição e que, com uma retórica inflamada, criticam o Governo mas não se atrevem a tomar a iniciativa de o confrontar com a exigência da sua demissão.Pior fazem ainda quando sucumbem ao taticismo e calculismo eleitoralista de tal forma que até se recusam a acompanhar quem tem a coragem de tomar a iniciativa para demitir o Governo.Se o PS diz ser oposição ao Governo não deve servir-lhe de escudo, tem de sair-lhe da frente e contribuir para seja derrotado.Eurodeputado