Celebrou-se ontem, com pompa e circunstância, o centenário da Ordem dos Advogados.Usaram da palavra o Bastonário, os Presidentes dos Conselhos Superior, da Supervisão, do Fiscal e do Regional. Usaram não, beneficiaram. Porque numa Ordem em que a maioria dos seus membros são mulheres, nenhuma teve lugar à mesa!Estranhei e indaguei.Informaram-me ser o protocolo nacional que, curiosamente, não foi seguido nas comemorações já realizadas em Faro e Évora. Dá-se, portanto, a palavra aos órgãos nacionais e a um regional.À Deontologia, nada. Talvez não seja um órgão considerado de relevância para o Senhor Bastonário. Questiono-me porque será…Mas, há também um órgão nacional ausente. A Provedora do Destinatário dos Serviços. Será por ser do género feminino? Certamente será mais uma coincidência.São, porventura, os meus olhos vidrados pelo exame da jurisdição disciplinar e da deontologia que me fazem ser tão judgemental…Certo é que, num ano em que se celebra o que de bom se fez nesta casa durante o último século, parece que a prioridade é presenças e organizações de eventos e não a alteração do Estatuto, conforme pedido e exigido pelos advogados que com as suas contribuições financiam estas comemorações. Quem sabe se o próximo passo não é criar um reality show como as irmãs Patrocínio e aí as publicações nas redes sobre presenças em eventos passam a ter #pub.Com a consulta jurídica e o acto próprio escancarado e consentido a qualquer um, neste momento qualquer pessoa pode opinar, aconselhar, fazer contratos, sem nem jurista ser, desprestigiando a Ordem e desprotegendo o cidadão. Para cúmulo, passam a multar-se as partes por actos considerados dilatórios, como seja usar os meios de defesa legalmente previstos.Well done!Inquéritos que duram até passar a década sem acusação e depois são os advogados e seus clientes, no exercício da defesa, quem usa práticas dilatórias…Enquanto isso, a Ordem consente, assente e regozija-se.Enfim, se calhar até percebo porque não me deixam falar.Enquanto isso, cita-se António Arnaut, Ary dos Santos e fazem-se odes aos Advogados que souberam fazer frente à ditadura (mas escondeu-se a placa com os seus nomes que foi inaugurada na entrada da Ordem nos 50 anos do 25 de abril, não fosse alguém sentir-se inspirado em seguir os seus passos).100 anos passaram. Será de festejar a mera existência sem espírito crítico ou olhar para o futuro?E não entendam este meu desabafo como uma “caça às bruxas” deste mandato… Mas que as há, há.