A Europa aberta às cores e às ideias

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No fim‑de‑semana passado a Áustria juntou-se a uma já longa lista de países da União Europeia onde a extrema-direita radical ganhou as eleições. E se incluirmos os países onde ficaram em segundo lugar, teremos 8 países em 12 eleições realizadas no último ano. Não são boas notícias para as nossas democracias e deveriam obrigar que pensássemos seriamente no que andam a fazer os partidos moderados e sensatos um pouco por todo o lado.

De acordo com um estudo recente publicado pelo European Council on Foreign Relations há grupos de europeus que se sentem cada vez mais afastados de uma ideia partilhada da UE, nomeadamente os membros de minorias étnicas e religiosas, os naturais dos países da Europa Central e de Leste e os jovens. No primeiro caso, assiste-se a um crescente afastamento das pessoas que não correspondem ao estereótipo do que é ser “Europeu”, enquanto que no caso da Europa Central e de Leste continuará a existir um sentimento de serem “europeus de 2ª classe” quando comparados com a Europa Ocidental. Finalmente, os jovens europeus não se sentem representados pelos partidos políticos tradicionais e preferem não participar.

Quando encontramos grupos que se sentem afastados da vida política significa que teremos cada vez mais dificuldade em identificar as suas necessidades e as suas aflições, contribuindo para deixá-las ainda mais isoladas e fragilizadas. E, ao contrário, as políticas públicas terão cada vez mais os grupos que votam em mente: pessoas mais velhas, representando uma perspectiva clássica do que significa ser da Europa e da sua metade ocidental. Ou, como as eleições recentes para o Parlamento Europeu e para os Parlamento Nacionais indicam, uma visão mais fechada e nativista do que se espera da Europa. Como recomenda o estudo referido, a UE deverá regressar a um conceito abrangente e não se deixar aprisionar numa ideia redutora e pequena do que significa a Europa e de quem cá mora.

Isso implica que os partidos moderados e do centro sejam capazes de sentarem à mesma mesa, concordarem no que é fundamental, identificarem as dificuldades que podem ser geridas com bom senso e boa vontade e perceberem que os desafios comuns que enfrentamos são muito mais relevantes e importantes do que as eventuais diferenças que os possam separar. Ignorar os problemas que temos será o melhor caminho para continuarem a alienar partes crescentes das pessoas e a deixar caminho aberto para quem acha que uma Europa fechada, toda igual e acinzentada é preferível a uma Europa aberta e capaz de integrar as formas, as luzes, os sons e as ideias diferentes. Os desafios que temos pela frente obrigam a mobilizar as pessoas e as suas circunstâncias sem excluir quem não seja igual a nós.

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