O pós-Trump aí está e chama-se ‘Acordo de Defesa Conjunta de Meca’!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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A lição final para os árabes sunitas do Golfo, foi que a “lealdade”, tão querida por Trump, tem outro significado, para lá do Cabo da Roca, no sentido da nova Roma, que agora não ocupa, povoa através de condomínios militares e civis, com muros de cinco metros de altura, tornando todo um bairro num “alvo legitimo”, que não protege, conforme acordado, e ainda foge! Lealdade, para um árabe e até ao Cabo da Roca, é até à morte!

Há, portanto, um problema de confiança, de palavra, de honra, com o homem branco, via “Fanta laranja”! O dano é incalculável e os milenais há muito que impuseram a privatização da verdade! Ou seja, para o mexilhão, como nós, inteligentes serão os que não caírem na tentação de remar contra a maré. Já para os grandes, há momentos em que vale a pena flectir o músculo, e mostrar ao dinheiro invisível, o que o dinheiro novo consegue, quando quer.

Foi este o mote para MBS, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, convidar o PR da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o PM do Paquistão, Shebaz Sharif, para se juntarem a ele em Meca e rezarem juntos. A 7 de Agosto é anunciada a assinatura, daquilo que rapidamente se tornará numa “NATO-Sunita-do-Golfo”, essencialmente contra o Irão, mas também contra Israel, pelo que este Acordo de Meca, abafará por completo os Acordos de Abraão. Porquê?

Porque um árabe, seduz-se, dá trabalho, nada se lhes pode impor, sendo preciso “dar-lhe a palha que quiser comer”, e depois, quando achar que está por cima, adere. Era esse o plano de Abraão, chegaria o dia, em que o único não-aderente sunita, seria o Guardião dos Lugares Santos do Islão. Começou em 2020 e até 2026 funcionou como o “glutão do detergente”, absorveu Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e República do Sudão. O ritmo tem sido aceitável, mas perante a precipitação dos acontecimentos no estreito, foi imposto à Arábia Saudita a adesão aos Acordos de Abraão, enquanto solução para a paz! Impossível tal acontecer, sem a garantia da existência de um Estado Palestiniano, e a fuga para a frente foi criar a sua própria rede de segurança, dentro do mesmo código de valores e interesses nucleares.

Este alinhamento do nuclear-sunita Paquistão, com os ambiciosos e concorrentes a “Vaticano do Islão sunita”, Arábia Saudita e Turquia, representa uma trilateral alternativa, sunita e poderosíssima, com a bomba e com o segundo maior Exército NATO, mais os Lugares Santos!

O impreparado Trump, e a sua “Administração Farinha Amparo”, usou a fralda e conseguiu agravar os desequilíbrios, entre Paquistão e Índia, ambos nucleares, entre Arábia Saudita, Irão e houthis e, entre Turquia e Israel. O pleno, para quem nada sabe da poda!.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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