O povo não quer remendos, quer mudança de rumo

João Oliveira

Eurodeputado pelo PCP

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As manifestações convocadas pela CGTP no sábado passado não encheram as ruas de Lisboa, Porto e Coimbra por acaso.

As ruas encheram-se porque há problemas pesados sobre a vida do povo e porque eles se têm agravado. Porque ao mesmo tempo que o povo passa dificuldades os grupos económicos acumulam lucros milionários. Porque as políticas que continuam em curso são a origem desses problemas e desigualdades, e as suas consequências já se tornaram insuportáveis.

As razões para o protesto não são questões de pormenor.

Os preços não páram de aumentar. Enquanto trabalhadores e reformados fazem contas a salários e pensões cada vez mais curtos face ao custo de vida, o “manto real” dos lucros dos grupos económicos do sector energético, da distribuição ou da banca não pára de aumentar.

As dificuldades na saúde levam os utentes ao desespero. Traídas as promessas de resolver em 100 dias os problemas do SNS, e perante a evidência de que a privatização apenas acrescenta problemas aos que já existiam, o Governo PSD/CDS já só se preocupa em disfarçar a falência da sua própria política, indiferente ao facto de os utentes terem cada vez mais dificuldades em aceder aos cuidados de saúde de que necessitam.

A falta de habitação alastra pela sociedade como uma mancha de óleo. Enquanto camadas cada vez mais amplas da sociedade não conseguem encontrar uma casa que se possa pagar, fundos financeiros e imobiliários multiplicam lucros despejando, especulando, parasitando o parque imobiliário que faz falta para a habitação das famílias, com a cobertura de políticas e leis feitas à medida dos seus interesses.

Foi por isso e por muito mais que as ruas se encheram. Porque esses problemas geram descontentamento e revolta, mas geram também força e disponibilidade para lutar com o objectivo de lhes pôr fim. E porque há quem dê enquadramento a essa luta para que ela seja consequente.

O que se reivindica não são remendos, são soluções de fundo, são políticas que ponham fim a este curso de degradação das condições de vida e afundamento nacional, que produzam mudanças efectivas nas vidas das pessoas e apontem uma distribuição mais justa da riqueza criada e dos recursos existentes no país.

A resposta do Governo PSD/CDS foi a que tem sido. Desprezo pelas pessoas e pelos seus problemas. Desvalorização dos impactos negativos das suas políticas. Auto-elogio por resultados que não existem. Utilização de todos os pretextos para desviar o foco das reivindicações feitas e, assim, mais facilmente fugir à responsabilidade de tomar medidas para lhes corresponder.

Do Chega ao PS, quem garante suporte ao Governo pode fazer de conta que não percebe o alcance da exigência feita. Mas, com o seu protesto, é uma mudança de rumo do país que o povo exige.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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