A figura do dia. O Porto é quem mais ordena

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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O Porto é, por estes dias, a capital do mundo literário e dos escritores. A cidade mobilizou-se em função de uma ideia subversiva e contra a corrente: num tempo de esvaziamento cultural, populismo e distopia, o desafio teria de passar pela mobilização de vontades e pensamento, das livrarias e alfarrabistas, das escolas e lares, das elites da Foz e do povo da Ribeira, de nobéis e jovens escritores. Numa época de feroz mercantilismo o segredo estava na cooperação. Desde ontem que, nos transportes públicos ou bancos de jardim, a cidade parece outra, com centenas de pessoas a ler livros, a falar de autores, a sentirem-se parte de um todo maior. Esmagador e muito bonito.

JOSÉ COELHO/LUSA

É o maior festival literário alguma vez organizado no nosso país, com o maior orçamento e o peso de um apoio político firme da Câmara do Porto. Pedro Duarte é um dos vértices de Babell e uma garantia para as fileiras de uma democracia que precisa que os melhores se comprometam e sejam capazes de ganhar eleições. O segundo vértice é o comissário Rui Couceiro, escolhido pela Fundação Lello e, como já o escrevi, provavelmente a figura mais influente do meio literário português. Editor de sucesso, escritor popular, fazedor de estrelas e um pragmático criador de pontes. E por fim, Pedro e Aurora Pinto, mentores de um projeto que talvez parecesse absurdo para a maior parte dos empresários, empreendedores e gurus de análise de risco. Os mesmos que os aconselharam a não comprar a Livraria Lello por ser um negócio sem qualquer possibilidade de futuro.

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