A atual direção do Diário de Notícias iniciou funções há exatamente dois anos, em setembro de 2024, num momento particularmente difícil para o jornal e para o grupo de que faz parte. Aceitámos essa missão com a consciência de que era uma honra, mas também uma responsabilidade pesada. O DN tem um lugar importante na História do país e da imprensa em língua portuguesa. E continua a ser um jornal com muito para dar a Portugal e ao mundo. Não é um museu.
Os desafios que enfrentamos não são muito diferentes dos que afetam a maior parte da imprensa em Portugal e no resto do mundo ocidental. O modelo de negócio foi virado do avesso pela digitalização e pelos novos hábitos de consumo. As receitas tornaram-se mais difíceis de garantir. Na última década, os jornais perderam relevância no espaço público. E há ainda a questão geracional, porque muitos jovens já não leem jornais e alguns já nem televisão veem.
Estamos conscientes dos desafios que esta realidade implica. Numa primeira fase, a prioridade foi estabilizar o jornal depois de anos muito complicados, que levaram à perda de talento e ao desgaste da marca. Com esse trabalho feito, e com o apoio de toda a equipa, definimos uma nova estratégia editorial, acompanhada por uma renovação do compromisso com a isenção, a independência e a qualidade.
Queremos ser o jornal em que os portugueses mais confiam e continuar a desempenhar um papel de referência na imprensa de língua portuguesa. E isso só se consegue com jornalismo sério e equilibrado, que trate dos temas que realmente importam para o futuro, que fuja à espuma dos dias, aos exageros e às narrativas enviesadas. No fundo, é cumprir o manifesto que foi publicado na primeira página do Diário de Notícias de 29 de dezembro de 1864. O futuro do DN passa por cumprir a sua missão histórica.
Não vamos, por isso, copiar as redes sociais, nem correr atrás dos influenciadores que alimentam a polarização e, muitas vezes, a desinformação. A relevância que os jornais perderam não se recupera assim. Recupera-se elevando o debate e falando para um público culto e exigente, que procura jornalismo de qualidade. Um jornal que sirva este público, sabendo tirar proveito das novas tecnologias, terá sempre futuro.
Tendo consciência deste facto, no DN temos procurado ir ao encontro das novas formas de consumo de informação, o que permitiu mais do que duplicar a audiência digital em muito pouco tempo. O DN é hoje um jornal digital first, com quase três milhões de leitores por mês. Lidera um ecossistema de marcas de informação que servem segmentos específicos do nosso público e que também têm crescido de forma consistente no digital: Dinheiro Vivo, DN Brasil, DN Sport e Motor24. Em breve apresentaremos novos projetos que vão reforçar este portefólio, no âmbito de uma estratégia de crescimento digital que tem ainda muito por fazer e que passará, também, por novos conteúdos premium.
Ao mesmo tempo, temos procurado estreitar a relação com os leitores, com iniciativas como a Grande Conferência do DN, a Money Conference e outros eventos que aproximam o jornal da sua comunidade, que é a razão de ser do DN.
Tudo isto assenta em três ideias simples: foco, multiplataforma e comunidade. É assim que o DN tem vindo a ser relançado nos últimos 24 meses, com o apoio dos nossos leitores, anunciantes e investidores, a quem agradecemos a confiança. A todos, muito obrigado.
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