O futuro do DN passa pela sua missão histórica

Filipe Alves

Diretor do Diário de Notícias

Publicado a

A atual direção do Diário de Notícias iniciou funções há exatamente dois anos, em setembro de 2024, num momento particularmente difícil para o jornal e para o grupo de que faz parte. Aceitámos essa missão com a consciência de que era uma honra, mas também uma responsabilidade pesada. O DN tem um lugar importante na História do país e da imprensa em língua portuguesa. E continua a ser um jornal com muito para dar a Portugal e ao mundo. Não é um museu.

Os desafios que enfrentamos não são muito diferentes dos que afetam a maior parte da imprensa em Portugal e no resto do mundo ocidental. O modelo de negócio foi virado do avesso pela digitalização e pelos novos hábitos de consumo. As receitas tornaram-se mais difíceis de garantir. Na última década, os jornais perderam relevância no espaço público. E há ainda a questão geracional, porque muitos jovens já não leem jornais e alguns já nem televisão veem.

O DN é hoje um jornal digital first, com quase três milhões de leitores por mês. (...) Que também têm crescido de forma consistente no digital: Dinheiro Vivo, DN Brasil, DN Sport e Motor24."
O DN é hoje um jornal digital first, com quase três milhões de leitores por mês. (...) Que também têm crescido de forma consistente no digital: Dinheiro Vivo, DN Brasil, DN Sport e Motor24." FOTO: Arquivo DN

Estamos conscientes dos desafios que esta realidade implica. Numa primeira fase, a prioridade foi estabilizar o jornal depois de anos muito complicados, que levaram à perda de talento e ao desgaste da marca. Com esse trabalho feito, e com o apoio de toda a equipa, definimos uma nova estratégia editorial, acompanhada por uma renovação do compromisso com a isenção, a independência e a qualidade.

Queremos ser o jornal em que os portugueses mais confiam e continuar a desempenhar um papel de referência na imprensa de língua portuguesa. E isso só se consegue com jornalismo sério e equilibrado, que trate dos temas que realmente importam para o futuro, que fuja à espuma dos dias, aos exageros e às narrativas enviesadas. No fundo, é cumprir o manifesto que foi publicado na primeira página do Diário de Notícias de 29 de dezembro de 1864. O futuro do DN passa por cumprir a sua missão histórica.

Não vamos, por isso, copiar as redes sociais, nem correr atrás dos influenciadores que alimentam a polarização e, muitas vezes, a desinformação. A relevância que os jornais perderam não se recupera assim. Recupera-se elevando o debate e falando para um público culto e exigente, que procura jornalismo de qualidade. Um jornal que sirva este público, sabendo tirar proveito das novas tecnologias, terá sempre futuro.

A relevância que a imprensa perdeu no espaço público na última década não se recupera indo atrás das redes sociais e dos influenciadores, mas sim com jornalismo independente e de qualidade.”

Tendo consciência deste facto, no DN temos procurado ir ao encontro das novas formas de consumo de informação, o que permitiu mais do que duplicar a audiência digital em muito pouco tempo. O DN é hoje um jornal digital first, com quase três milhões de leitores por mês. Lidera um ecossistema de marcas de informação que servem segmentos específicos do nosso público e que também têm crescido de forma consistente no digital: Dinheiro Vivo, DN Brasil, DN Sport e Motor24. Em breve apresentaremos novos projetos que vão reforçar este portefólio, no âmbito de uma estratégia de crescimento digital que tem ainda muito por fazer e que passará, também, por novos conteúdos premium.

Ao mesmo tempo, temos procurado estreitar a relação com os leitores, com iniciativas como a Grande Conferência do DN, a Money Conference e outros eventos que aproximam o jornal da sua comunidade, que é a razão de ser do DN.

Tudo isto assenta em três ideias simples: foco, multiplataforma e comunidade. É assim que o DN tem vindo a ser relançado nos últimos 24 meses, com o apoio dos nossos leitores, anunciantes e investidores, a quem agradecemos a confiança. A todos, muito obrigado.

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