Portugal, e, connosco, o mundo, vive momentos de tensão, de guerra, de destruição sem sentido e de radicalismo, frequentemente gratuito.
Mas, vivemos sobretudo momentos de intolerância, de incapacidade de conviver com a diferença, e, sobretudo, com os que nos são diferentes.
Respeitarmo-nos nas nossas diferenças é a essência da capacidade de vivermos numa sociedade livre e democrática.
Assumiu, por tudo isto, especial significado cívico a tranquila sessão que teve lugar, no final de tarde da passada sexta-feira, na Fundação Manuel António da Mota, no Porto.
Ali se apresentou uma nova colecção de livros, a colecção “Pensar Português”.
Entre um editor, Manuel S. Fonseca, que nos fez descobrir uma Marilyn Monroe com fome de saber, culta, devoradora de livros e leitora compulsiva, e um empresário, Carlos Mota Santos, que nos falou do desassossegado Pessoa e do desassossego que ajudou a construir Portugal e o Grupo Económico pelo qual é responsável, a diversidade e a diferença devem ser elogiadas.
A colecção foi apresentada por Pedro Abrunhosa que entre a colecção e a sua visão da nossa sociedade traçou um retrato claramente marcado por um pensamento posicionado à esquerda.
O primeiro livro da colecção é da autoria de Pedro Gomes Sanches, conhecido e reconhecido comentador da nossa vida pública e que se define a si próprio como “conservador, reformista e liberal”, posicionando-se na direita democrática portuguesa. O livro é, aliás, prefaciado por Pedro Passos Coelho.
A liberdade, a diferença, o respeito pelo outro, uma sociedade aberta e plural, deram-nos um fim de tarde, no liberal Porto, em que assistimos a uma sessão com quatro personalidades diferentes que ali estavam com o mesmo propósito – celebrar o livro e a cultura.
E se os oradores eram diversos, o auditório não o era menos - a diversidade é possível e gostaria de recuperar um slogan do início deste século, “Todos diferentes, Todos iguais”.
Este foi o primeiro livro de uma colecção de 15 obras que serão lançadas nos próximos três anos.
“Pensar Português, Pensar Portugal” é, também, uma ode à diferença. Como disse Antoine de Saint-Exupéry, “Se difiro de ti, longe de te prejudicar, acrescento-te.”
Pedro Gomes Sanches afirma na nota introdutória que tem “a convicção de que Portugal pode ser melhor”.
Um desafio eterno que nos deixa e para o qual cada um de nós é desafiado a contribuir, na sua diversidade.