O bife de ouro

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Em 2018, um juiz sem carreira política chamado Wilson Witzel concorreu a governador do Rio de Janeiro embalado pela Operação Lava-Jato, que alçou os magistrados a salvadores da pátria e rebaixou os políticos, todos eles, a ladrões.

Com um discurso apoiado em duas frases de efeito – “vamos varrer a corrupção do Rio” e “a polícia, comigo, tem ordem para mirar a cabecinha dos criminosos e disparar” – conseguiu convencer a população fluminense, tão cansada de corrupção e de criminosos, e elegeu-se pelo PSC, de extrema-direita.

Em 2021, após sete decisões colegiadas de 140 juízes diferentes em todas as sedes e instâncias possíveis do poder judicial, Witzel foi afastado do cargo, acusado da mesma corrupção que prometia varrer. E foi preso, como qualquer criminoso comum, mas, felizmente, sem que a polícia tenha mirado a cabecinha dele e disparado.

Por lei, sucedeu-o interinamente o vice-governador Cláudio Castro, que trocou o mesmo PSC, de extrema-direita, pelo PL, de Jair Bolsonaro. Com um discurso semelhante ao antecessor contra a corrupção e os criminosos, Castro foi eleito em 2022 por conta própria pela população fluminense, ainda e sempre cansada de corrupção e de criminosos.

Em 2025, destacou-se como face política da operação policial contra a organização criminosa Comando Vermelho nas comunidades conhecidas como Complexo do Alemão e Complexo da Penha que resultou em 122 mortes. No final da contagem dos cadáveres expostos nas ruas daqueles bairros sob os olhares das mães, Castro classificou a operação como “um sucesso” e lamentou apenas as quatro mortes de agentes da polícia.

Já antes, o governo de Castro havia ficado marcado por chacinas policiais, nomeadamente a do Jacarezinho, considerada a mais letal da história do Brasil, e a da Vila Cruzeiro, a segunda da lista.

Pelo meio, foi investigado por supostas fraudes na distribuição de alimentos durante a pandemia, primeiro, e na prestação de serviços a uma fundação para apoio a pessoas carentes, depois. Até ser suspenso do cargo em março deste ano e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e económico nas eleições que venceu.

Já em maio foi ainda alvo de 10 mandatos de busca e apreensão à penthouse de alto padrão em que mora na exclusiva Barra da Tijuca por estar envolvido num esquema de corrupção multimilionário liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Nas gravações a que a investigação teve acesso, Castro agradece o jantar de 10 mil euros que Vorcaro lhe pagou em Nova Iorque, com direito a bife folheado a ouro, a última tentação dos novo ricos, e uma degustação de uísques, avaliada em estonteantes 850 mil euros. Semanas depois do bife e dos digestivos, o governador deu ordem para o governo do Rio investir o equivalente a 516 milhões de euros das pensões dos contribuintes locais no Master, o banco fraudulento de Vorcaro.

Em 2026, que a população fluminense, se está mesmo cansada a sério de corrupção e criminosos, não vote noutro corrupto criminoso.

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