De promessas, não cumpridas, temos um saco cheio. Sim Luís Montenegro prometeu-nos, em várias ocasiões, durante a campanha eleitoral e mesmo no início deste mandato um crescimento de 3%, 4% ou até de 5%.Mas não, isso não aconteceu, nem acreditamos que venha a acontecer nos próximos tempos.Nos vários patamares económicos que dariam origem àqueles valores de crescimento continuamos situados numa doentia mediana que não nos deixa subir ao topo do desenvolvimento.Salários baixos, inovação fraca, produtividade insuficiente, desemprego jovem, fuga de quadros, empresas de pequena dimensão, economia pouco industrializada, mercado interno diminuto e uma forte dependência do turismo são algumas das razões que explicam porque não conseguimos atingir a frente do pelotão da economia europeia. Portanto, serviços a mais e indústria a menos.É verdade que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, mas o problema deste governo é que não vemos, atualmente, um rumo, uma estratégia, um caminho que nos conduza ao topo e nos coloque a par dos países mais desenvolvidos da União Europeia.O nosso salário médio subiu? Sim, subiu! Em 2005 tínhamos um salário médio bruto mensal de 900 euros. Em 2025 o nosso salário médio é de 1694 euros. Mas, o facto é que este valor é decepcionante face aos países mais desenvolvidos da União Europeia, como o Luxemburgo com um salário médio anual bruto de 82.696 mil euros ou à Dinamarca com 71.565 euros. O salário em Portugal está 38% abaixo da média salarial da União Europeia.A aposta na inovação é um dos fatores que mais contribui para o desenvolvimento de um país. Por cá não inovamos muito. O nosso investimento em investigação e desenvolvimento é fraco. Temos poucas patentes. Ainda investimos pouco na digitalização de serviços. No ranking do EIS (European Inovation Scoreboard) em termos de inovação estamos na 16.ª posição entre os 27 da União Europeia. Mais uma vez no patamar mediano, se olharmos para os mais inovadores, como a Alemanha, a França, a Bélgica ou a Áustria.Depois, há o velho problema da produtividade portuguesa. Mas afinal o que é isso de produtividade? Trata-se do PIB gerado por hora trabalhada. A União Europeia para medir os valores de produtividade estabeleceu um índice que é 100. Nessa tabela, Portugal tem o valor 73. Isto significa que um trabalhador em Portugal, em média, produz 73 % do valor gerado por um trabalhador médio na União Europeia. Vamos, mais uma vez, comparar com os que estão no topo de tabela. Luxemburgo com um valor de 170 e a Espanha com um valor de 95, portanto, já próxima da média da União Europeia. Grosso modo, em euros, se quiserem, podemos dizer que, em Portugal, um trabalhador gera, por hora, cerca de 35 a 40 euros, enquanto a Alemanha gera, sensivelmente, o dobro daquele valor.Sabemos que a produtividade cresce com a automação, com a digitalização, com mais ferramentas de software avançado, com mais patentes registadas. Convenhamos que esta não tem sido muito “a nossa praia”. Temos apostado, fortemente, no turismo que é muito intensivo em mão de obra não qualificada e gera um valor muito baixo por trabalhador. Bons salários, naturalmente, também dariam uma ajuda à produtividade, coisa que tardamos a ver em Portugal. A nossa fraca produtividade também é explicada pela pequena dimensão, sem escala, das nossas empresas. Investimos pouco em maquinaria pesada, em produtos químicos e farmacêuticos, o que a verificar-se nos faria subir a produtividade.O desemprego jovem é outro dos problemas crónicos que explicam o nosso atraso. Deixamos fugir os mais bem preparados. Temos um bom ranking de ensino universitário, universidades de excelência com prestígio internacional, mas, depois de todo este investimento, os mais bem preparados vão para o estrangeiro na busca de melhores salários e condições de vida. É um facto que os nossos valores de desemprego são baixos. Portugal tem um desemprego de cerca de 5,9%, coincidente com a média da União Europeia. Portanto, muito abaixo dos 7,3% da França, dos 9% da Grécia e dos 10,4% da Espanha. Mas, depois, em Portugal, quando olhamos para o desemprego nos jovens menores de 25 anos os valores sobem para cerca de 21 %. Ou seja, em Portugal, um em cada cinco jovens está inactivo.Com este governo pouco ou nada mudou. E perdeu energia. Assim, mais uma vez, não vamos passar da cepa torta.