Níger, 'gay' não entra – Burquina, menina bonita nem descalça na passarela!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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Na mesma semana, a passada, as juntas militares do Níger e do Burquina Faso, decretaram ambos, no sentido mais populista das políticas que vão saindo das respectivas casernas!

O Níger criminalizou a homossexualidade, junho 11, e o Burquina, proibiu todo e qualquer concurso de beleza, junho 8. O que é que isto significa e porquê agora?

Primeiro, esta África, segundo entreposto no Continente, para a islamização do mesmo, a partir do século VIII. É o esteiro unificador de toda a diversidade, deste eixo do Atlântico ao Mar Vermelho;

Segundo, e perante a circunstância, esta transversalidade islâmica de Dakar/Bissau à contracosta, facilita às populações falarem com os olhos e aos militares, atirarem serradura, aos mesmos, cegando-os com leis de circunstância, que distraem o distraído do essencial;

Terceiro, resta dizer, que estas medidas avulsas, o agrado e a aprovação popular imediatas, diluem os extremistas no main stream, retirando-lhes o mote e a iniciativa;

Quarto, o Níger e o Burquina, não conseguiram, desde os golpes, respectivamente em 2023 e 2022, resolver a demanda popular por farinha, arroz, água e gasolina;

Quinto, a aposta russa para a segurança da região, em substituição dos franceses, demonstrou ser desastrosa. De tal forma, que já não é só o ouro do Mali, o urânio do Níger e as “pedras” do Burquina a alimentarem a guerra na Ucrânia, são jovens africanos recrutados para virem combater no frio;

Sexto, creio ser este o pânico no seio da Aliança dos Estados do Sahel (Mali, Níger e Burquina). Discutir desde o ano passado, a retirada definitiva do Africa Corps russos, ex-Wagner de Proghozin. Inevitável, prevendo-se outro inevitável, o regresso dos franceses, pela porta grande, para finalmente o pan-africanismo destes coronéis, ter rascunho europeu, naquilo que mais querem e menos conseguem. Acabar com a CEDEAO (a CEE da África Ocidental) e com o Franco CFA, a moeda única desta comunidade económica. Foi daqui que estes três saíram, confiados que um “KGB qualquer”, investisse no rublo africano e fizesse de Bamako o seu Banco Central!

Nada disso aconteceu e a CEDEAO continua a precisar, não de acabar, mas de se refundar. Talvez abrangendo mais países do Golfo da Guiné e do Magrebe, adaptando a comunidade aos desafios que tem. Um bloco de desenvolvimento económico, tem que estar preparado para diluir “problemas menores”, geralmente das minorias, na grande roda-dentada do desenvolvimento. Ou seja, a nova CEDEAO tem que estar onde estão os extremismos! Porquê? Para os diluir!

Já o Níger, é desde o dia 11, o país 66 a criminalizar a homossexualidade.

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