A 21 de Novembro, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) reabre ao público, após um período de encerramento para obras de reabilitação. A entrada será gratuita até 1 de Dezembro, inclusive. O regresso desta instituição constitui uma oportunidade para ponderar não apenas a relevância das intervenções realizadas, mas também o lugar insubstituível do Museu na preservação e interpretação do património artístico português.
Financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as obras, orçadas em cerca de 8,5 milhões de euros, incidiram sobre a conservação da fachada norte, a reabilitação das coberturas da ala do antigo Palácio Alvor e a conclusão do restauro da Capela das Albertas. Trata-se de uma intervenção necessária na salvaguarda de um edifício histórico, cuja conservação exige, porém, políticas públicas continuadas, além dos mecanismos extraordinários de financiamento.
Fundado em 1884, o MNAA constitui um dos pilares da museologia nacional. O seu acervo, com cerca de 40 mil peças, documenta a evolução das artes em Portugal e as relações estéticas, técnicas e culturais estabelecidas com outros espaços europeus e extra-europeus. Dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, à Custódia de Belém e aos Biombos Namban, as suas colecções permitem compreender a singularidade da criação artística portuguesa e a complexidade dos intercâmbios decorrentes dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa.
Durante o encerramento, o projecto O MNAA Está Aqui promoveu a circulação de obras e actividades por diferentes regiões do país, mantendo viva a relação entre o Museu e os seus públicos. A reabertura restitui, assim, à fruição colectiva um património cuja dimensão ultrapassa largamente o valor material das peças.
Um museu nacional não é um mero depositário de antiguidades: é um espaço de produção de conhecimento, de construção da memória histórica e de mediação entre passado e presente. A preservação do MNAA representa, por isso, uma responsabilidade cultural e cívica. Porque a continuidade de uma comunidade histórica depende também da capacidade de reconhecer, estudar e transmitir a herança artística que a constitui..
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