Marrocos, CEDEAO, Sael e Portugal: novas oportunidades!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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Há precisamente uma semana, a ministra da Energia de Marrocos, Leila Benali, veio a Lisboa debater, com a sua homóloga portuguesa, a ministra Maria da Graça Carvalho, a possibilidade do estabelecimento de uma ligação eléctrica, entre Tavira e Tânger. A convicção de que avançará é, para já, ter sido acordado que a frente será unida na solicitação de fundos comunitários e captação de investimento privado para uma empreitada que replica a ligação já existente entre Espanha e Marrocos.

A França, já está também nesta agenda prioritária, enquanto nova ligação directa, independente da que liga Marrocos a Espanha. Energia e soluções/autonomia, resumem visão!

Também há uma semana, os marroquinos celebraram, a partir de Freetown, Libéria, onde decorreu, nesse fim-de-semana, a 69.ª Cimeira de Chefes-de-Estado da CEDEAO, a Comunidade Económica e de Desenvolvimento da África Ocidental. A vitória marroquina, neste tabuleiro, também foi no campo energético, ao ver a adesão dos 12 membros CEDEAO, à iniciativa marroquina, de canalizar gás natural da Nigéria, até Tânger. 6800km de gasoduto, importantes para Sines, agora com o apoio expresso de um bloco regional importante, a África Ocidental.

Ainda nesta África não-tradicional para Portugal, na sexta, 24, o MNE do Mali, Abdoulaye Diop, manifestou, na 4.ª sessão da Comissão Mista de Cooperação marroquina-maliana, apoio e satisfação por a iniciativa marroquina de fazer do porto de Dakhla a “porta do Atlântico para o Sael”. Assimi Goita, líder da Junta Militar do Mali, aposta numa alternativa ao porto de Dacar, e Marrocos aposta em não isolar o Sael dissidente da CEDEAO, Mali, Burquina e Níger.

São estas as novas oportunidades para o Portugal-político, o Portugal-empresas e o Portugal-lúdico das férias. De Sines, a Lagos, na Nigéria, há estradas, pontes e portos por desenhar, rasgar e voltar a dar. E o momento é o ideal, com a realização do Mundial de Futebol, dentro de quatro anos.

As recentes mudanças na política e postura internacionais, tendem a apontar as soluções para Sul e já não para o tecnológico e organizado Norte. O recente apagão europeu comprovou-o, as actuais guerras comprovam-no.

Marrocos, assume-se hoje, mais que nunca, enquanto frente Atlântica, uma sintonia a não negligenciar. Porquê?

Porque não temos nada para lhes ensinar no mar, mas tudo a aprender em terra, na sauna em que o português é uma história, uma lenda, com sete metros de altura! Neste desconhecido, se formos de mãos dadas com os marroquinos, universidades e empresas, há toda uma biblioteca de lucros invisíveis e incalculáveis por descobrir.
 

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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