Jogo dos Leões: Sporting ‘vs’ Galatasaray

Zeynep Tinaz Redmont

Jornalista turca a viver em Portugal, publica 'Lisbon Diaries' no Substack

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Quando os leões entrarem em campo para uma luta feroz na quarta-feira, será quase como um espetáculo no Coliseu nos tempos romanos, com dezenas de milhares a aplaudirem o jogo. Aquele que perder sairá certamente do recinto ferido, mas não morto!

Não precisa de viajar através de um túnel do tempo para assistir ao jogo dos leões. Só precisa de ocupar o seu lugar esta noite no Estádio José Alvalade ou em frente à televisão para ver o jogo da Liga dos Campeões da Europa entre o Sporting e a equipa turca do Galatasaray, duas equipas cujas alcunhas são Leões.

É um jogo histórico, porque as duas equipas mundialmente famosas se defrontarão pela primeira vez. Não só partilham o mesmo símbolo e alcunha, como “têm também quase a mesma idade, tendo sido fundadas com apenas um ano de diferença, há 120 anos.

O Galatasaray foi fundado no prestigiado Liceu de Galatasaray durante o Império Otomano, com a ambição de “jogar como os ingleses”, mesmo antes de existir a Turquia moderna.

O membro fundador do Sporting, José Alvalade, tinha também uma visão internacional: criar a equipa mais forte da Europa. Pediu emprestado o leão do brasão de uma nobre família portuguesa, com a sua autorização.

“Ambos os clubes tiveram histórias semelhantes, na medida em que eram considerados clubes de ‘elite’ ou aristocráticos nos seus primeiros tempos, devido à forma como foram fundados”, afirmou o jornalista desportivo do New York Times, Tariq Panja.

As duas equipas cresceram e tornaram-se dois dos maiores clubes dos seus países, com bases de adeptos semelhantes.

Os adeptos do Galatasaray diferem dos seguidores mais ligados à classe trabalhadora do Beşiktaş ou dos que aparentam ser mais elitistas do Fenerbahçe. Os adeptos do Galatasaray têm sido tradicionalmente bastante cool, com um perfil mais distante.

O Galatasaray viveu o seu apogeu quando conquistou a Supertaça Europeia em 2000. O seu treinador turco, Fatih Terim, tornou-se um nome conhecido no futebol internacional e mais tarde treinou o Milan.

A mudança dos tempos reflete-se na perda do caráter nacional.

Quando as equipas começarem hoje o jogo, haverá mais estrangeiros em campo do que jogadores portugueses ou turcos. Espera-se que o Galatasaray apresente sete jogadores estrangeiros e o Sporting oito.

Entre os jogadores do Galatasaray estará Rafael Leão, alegadamente transferido por um salário líquido de 10 milhões de euros por ano, frente ao seu antigo clube de formação, o Sporting. O seu nome adapta-se bastante bem à alcunha da sua nova equipa.

Há 15 jogadores portugueses na Superliga turca, juntamente com números semelhantes de outras nacionalidades, como franceses e brasileiros. Há atualmente quatro jogadores turcos na Liga Portugal, mas nenhum no Sporting. A equipa feminina do Galatasaray também tem quatro jogadoras portuguesas.

O Sporting tem a vantagem de defrontar o Galatasaray em casa, no estádio de Lisboa.

Isto porque o estádio do Galatasaray, conhecido como o Inferno nos arredores de Istambul, foi concebido para proporcionar uma acústica poderosa e níveis de decibéis ensurdecedores. Os adeptos recebem as equipas adversárias com um estrondoso “bem-vindos ao inferno”, acompanhado por coreografias 3D exibidas em ecrãs gigantes.

zredmont351@yahoo.com

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