A política não se mede pela facilidade com que se fazem entendimentos. Mede-se, sobretudo, pela capacidade de manter a palavra dada e pela coragem de defender princípios, mesmo quando isso implica votar contra.Foi exatamente isso que aconteceu com a reforma laboral apresentada pelo Governo.O CHEGA votou contra porque entendeu que aquele pacote não respondia aos problemas reais dos trabalhadores portugueses. Não corrigia injustiças estruturais, mantinha soluções que consideramos prejudiciais para quem trabalha e ignorava propostas que poderiam tornar o mercado laboral mais justo e equilibrado. Mais do que isso, o Governo revelou uma postura de arrogância negocial, recusando discutir alterações que, para nós, eram essenciais.Quando um Executivo pede diálogo, mas não aceita ouvir quem pensa diferente, não está verdadeiramente a negociar. Está apenas à espera de um cheque em branco. E esse cheque em branco o CHEGA nunca o dará.Ao longo de todo este processo existiram três linhas vermelhas que nunca estivemos dispostos a ultrapassar.A primeira prende-se com a proteção dos trabalhadores. Não podemos aceitar que se facilite o despedimento de quem dedicou anos da sua vida a uma empresa sem que existam garantias adequadas. A estabilidade laboral continua a ser um pilar da dignidade de quem vive do seu trabalho.A segunda diz respeito ao recurso crescente ao outsourcing. Nenhuma economia moderna pode assentar na substituição sistemática de trabalhadores permanentes por modelos de subcontratação que fragilizam carreiras, reduzem salários e promovem a precariedade. Modernizar não pode significar desvalorizar quem trabalha.A terceira, talvez a mais simbólica, é a idade da reforma. Portugal continua a exigir demasiado de quem começou a trabalhar muito cedo, descontou durante toda a vida e, mesmo assim, continua sujeito a penalizações para aceder à reforma. Quem trabalhou quarenta ou mais anos não pode continuar a ser penalizado por um sistema que parece esquecer o esforço de uma vida inteira.Estas não são posições conjunturais. São causas que defendemos desde sempre.Por isso, não aceitamos a ideia de que a política se resume a aprovar tudo o que vem do Governo em nome de uma suposta estabilidade. A estabilidade constrói-se com boas decisões e não com votos automáticos.Nos dias que se seguiram à votação, assistimos a uma tentativa de criar uma narrativa de divisão interna no Grupo Parlamentar do CHEGA. Essa narrativa é falsa.Todos os Deputados conheciam o sentido de voto e todos votaram de acordo com a posição assumida pelo partido. Quem conhece o funcionamento da Assembleia da República sabe que, por regra, a indicação visual da votação começa nas primeiras filas da bancada. Transformar esse procedimento habitual numa polémica mediática apenas procurou desviar atenções daquilo que verdadeiramente estava em causa: o conteúdo da reforma laboral.O essencial permanece. O CHEGA não está na Assembleia da República para ser a muleta de qualquer Governo, seja ele de que cor política for. Também não está disponível para abdicar dos seus princípios em troca de entendimentos ocasionais.Os portugueses esperam representantes que mantenham a palavra, que defendam quem trabalha e que coloquem o interesse nacional acima das conveniências políticas.Foi isso que fizemos. Porque há votos que definem um momento político. Mas há princípios que definem um partido.E esses, por muito que alguns desejem o contrário, continuam a não estar à venda.