Foi “Ti Celito” em Angola, “Rei Amor” nos Camarões e “Presidente dos Afectos” em Portugal!

Publicado a

O Presidente (PR) Marcelo Rebelo de Sousa, que hoje entrega a chave do Palácio de Belém ao seu sucessor, António José Seguro, tornou-se africano na Lourenço Marques administrada por seu pai, Baltazar, entre 1968 e 1970, período em que foi Governador-Geral (GG) de Moçambique, tendo também sido o único GG, a recitar a Surat’al-Fatihah, na Emissora Nacional, no início do Ramadão de 1968.

Foi esta a forma como o novo GG, Rebelo de Sousa, se apresentou aos muçulmanos de Moçambique. Para a chamada “comunidade maometana de Moçambique”, esmagadoramente de origem indiana, a guerra era “assunto entre brancos e pretos” e era necessário conquistar-lhes o coração, a estes “indianos”. Esta Surat’al-Fatihah logo à chegada, é o reconhecimento do “afinal existimos”, e os muçulmanos renderam-se a esta gentileza, da acção psicológica de guerra, portuguesa.

Esta foi a escola do PR português que hoje entrega a tocha, o qual começou por ser formado em realismo político, nestes corredores, entre as ‘Necessidades’ de Salazar e a Mafalala do Eusébio! E, só começando por aqui, se compreende o perfume com que o “Ti Célito”, borrifou Angola em 2019, por onde passou, na sua “viagem de afectos”, cujo objectivo era resolver um “irritante” entre irmãos, que, como todos, “têm dias”!

Na Lusofonia, aplicou a “escola de Lourenço Marques”, contribuindo para o debate permanente, sobre reconciliação e colonialismo, mais a valorização da cola que a língua portuguesa representa.

Foi maquiavélico, como Nicolau ensinou, marcou presença nos 50.ºs aniversários de independência de Angola e Moçambique, mas evitou as comemorações da Guiné-Bissau, que se proclamara independente logo em 1973.

É também na Guiné-Bissau que falha a última Cimeira da CPLP, em julho de 2025, em provável protesto contra a presidência que se seguirá, da Guiné-Equatorial, entre 2027 e 2029. “Não habia nexexidade Xenhor Persidente”!

E daqui decorre, que o africano não resiste ao exótico europeu e, aquando da visita aos Camarões, em junho de 2019, o republicano Marcelo foi recebido com honras tradicionais e entronizado “Rei Amor”, ou “Rei dos Reis”, a partir da tradição Moossou.

Em conclusão, tivemos um “Presidente-Príncipe”, educado na corte e cujas mudanças sociais durante as décadas de 1960/70, o obrigaram a descer à rua e a saltar fogueiras no Santo António, criando-lhe as camadas necessárias para, também, aprender a jogar à batota em Queluz, ou Massamá!

E assim, entre uma vichyssoise e um Santini de framboesa, se passaram mais dez anos de democracia sólida.

Parabéns, Senhor Presidente, longa vida, são os votos deste plebeu!

Escreve de acordo com a antiga ortografia

Diário de Notícias
www.dn.pt