Figura do dia: Os aplausos de pé a Palma Ramalho

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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No tempo em que nos acontecem mais coisas em menos tempo, pensei numa carreira política. No entanto, houve sempre uma razão para travar a fundo todas as possibilidades: a dificuldade de me integrar em partidos, clubes ou associações de moradores. É mais forte do que eu. Pode ser arrogância desmedida ou um injustificado excesso de ego, mas agora que estou a entrar no meu Outono, já não tenho remissão para pecados e pecadilhos.

Fui passando este fim de semana pelo Congresso do PSD, na Anadia, muito perto da gula dos leitões e do espumante da Bairrada que sabe pela vida e entorpece espíritos e desejos de inquietude. Gostei de ver o regresso de Pedro Santana Lopes e a ansiedade de Sebastião Bugalho por um protagonismo que lhe foi usurpado por Miguel Albuquerque, um bicho feroz.

TIAGO PETINGA

Não houve nenhuma surpresa. Luís Montenegro avançou com novas propostas, a sua estratégia foi sufragada sem discussão e Passos Coelho nunca chegou a ser tema. Também não foi surpreendente que os militantes se tivessem levantado como uma mola laranja no final do discurso de Palma Ramalho. Foi patético e infantil, mas compreensível na tal lógica dos partidos. Acreditam que é vital mostrar força e unidade, não percebendo, ou não valorizando, que há aplausos que são um suicídio político. Aplaudir de pé a ministra do Trabalho, protagonista de uma derrota clamorosa e que tem a doçura de uma vespa-asiática, equivale a um vegetariano, de livre vontade, assinar um contrato vitalício para trabalhar na cozinha do Pedro dos Leitões. Isto ainda vai piorar.

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