Em 2025 o Ministério da Educação testou a correção digital dos exames com um piloto: o exame de Filosofia, cerca de 20 mil provas. Os professores relataram exames que desapareceram do sistema, folhas em branco, respostas cortadas a meio, respostas trocadas entre alunos. O ministério considerou o ensaio muito positivo.Este ano o mesmo sistema multiplicou o processo por 15, para mais de 300 mil provas, sem corrigir o que o piloto já tinha mostrado estar mal. Voltaram os mesmos erros. Professores convocados para corrigir disciplinas que nunca deram. Um professor convocado apesar de já falecido. Uma prova de Português com respostas dentro do exame de Matemática. Um aluno que sabe que a prova de outro colega apareceu trocada com a sua não tem como confiar que a sua foi bem classificada.A digitalização da correção era necessária. Portugal não tinha condições para continuar a corrigir centenas de milhares de provas em papel, à mão. Fernando Alexandre tinha, há um ano, a lista exata dos erros que ia repetir. Repetiu-os todos. Multiplicou o processo na mesma e passou semanas a distribuir responsabilidades por todos.O EduQA já tinha admitido publicamente dificuldades técnicas no processo. Uma semana depois, a 1 de julho, em audição no Parlamento, Fernando Alexandre garantiu aos deputados que estava tudo dentro dos prazos e que nenhum aluno seria prejudicado. Disse também que a maioria das denúncias dos professores era falsa. Dois dias depois, sem facto novo explicado, o Ministério anunciou o adiamento das notas e da segunda fase.O calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior não mudou. Os alunos ficam com menos tempo entre saber a nota e escolher o curso.A Iniciativa Liberal defende há anos que o Estado tem de ser reformado, mas reforma sem planos não é reforma, é caos com outro nome. E o caos tem sempre as mesmas vítimas: as pessoas que dependem do sistema.Reduzir entidades não é um problema, muito pelo contrário. Mas a transição exige um plano eficaz. O EduQA só teve estatutos em janeiro de 2026, o Júri Nacional de Exames só teve enquadramento jurídico no mesmo mês, ambos meses antes dos exames que tinham de garantir. Preparou a operação mais complexa de sempre com a estrutura ainda a ser montada e sem corrigir o que já sabia estar mal.Fernando Alexandre é quem decidiu avançar assim, e é quem tem de responder pelo que decidiu. Já deu várias explicações. Em nenhuma delas assumiu o que lhe competia. Enquanto isso, o aluno perde tempo para escolher o curso, a família perde a viagem marcada com base num calendário que o próprio Ministério mudou sem aviso, o professor perde as férias.A Iniciativa Liberal perguntou ao Ministro, por escrito, o que mudou em 48 horas entre garantir o calendário e desmenti-lo, e como vão ser compensados os alunos prejudicados. Enquanto esperamos resposta, os alunos já não têm tempo para esperar. A este Governo falta o que se exige aos alunos: preparação.