E depois de 3 de novembro?

Luís Valença Pinto

General. Presidente do EuroDefense-Portugal

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Estamos a brevíssimos dias das eleições intercalares nos Estados Unidos. Terão lugar a 3 de novembro.

São eleições sempre compreendidas como, de algum modo, constituindo um referendo à Administração em funções.

O que torna tão relevantes e especiais as eleições deste ano é a natureza tão negativa da atual Administração.

As sondagens sugerem que os democratas ganharão a Casa de Representantes e que, quanto ao Senado, há por agora um despique cerrado que não permite previsões fiáveis.

A disputa é entre democratas e republicanos, mas, porque as fidelidades de partido não deixarão de ter um papel, apetece dizer que é pena que não possam ser explicitamente entre os que são por Trump e os que se lhe opõem e querem regenerar os EUA, e recriar a respeitabilidade de que os EUA gozavam no Mundo. Seria interessante ver como votariam muitos republicanos se estivessem plenamente livres em relação à vinculação partidária

Porque muito para além de Trump, continua a haver uma pretensão de devolver aos Estados Unidos o papel de líder do Mundo livre e democrático, ainda que não tão comprometido com a Europa como anteriormente. Afastando-os de sinistras e muito estranhas cumplicidades com Vladimir Putin. Deixando de ser, como hoje é, um Estado de que se respeita o passado, mas cujo presente não é respeitável, nem estimável. Um Estado que recolhe a unanimidade da censura mundial, exceção feita aos que ganham com esta deriva norte-americana, do que, todavia, nunca retirarão apreço acrescido pelos EUA. Antes pelo contrário.

No imediato, há que meditar no que se seguirá a 3 de novembro.

Certo é que, por mais dois anos, Trump continuará a ser o Presidente.

Se perder daqui a uma semana, e mesmo passando a estar, nalgumas áreas, um pouco mais condicionado pelo poder legislativo, talvez mostre ao Mundo uma faceta de raiva e frustração que o leve a paroxismos de disparate superiores ao que já vimos, com as consequências que conhecemos. Uma certa fuga para a frente. Isto para não falar do tipo de aceitação ou não que terá de tais resultados e do que daí pode vir, como aconteceu em 2021.

Se ganhar, aí os excessos e os desvarios podem ser tidos como certos. Construir o arco de triunfo ou dar o nome de Trump a tudo, será o menor dos males. Custa muito admitir isso, mas talvez a Ucrânia venha a ser a primeira vítima. E com ela os valores da democracia e da liberdade. Os valores da decência.

A deplorável conclusão é que, em qualquer dos casos, os EUA e o Mundo terão pela frente dois anos maus e problemáticos, em que talvez o melhor que seja possível fazer corresponda a adotar uma atitude de controlo de danos. O que, para ser bem-feito, deve começar na prevenção.

Serão dois anos que a China agradecerá e aproveitará. Tão bem ou melhor como tem tirado vantagem de todos os dias de Trump na Casa Branca.

Serão dois anos em que os extremos nas nossas sociedades beneficiarão, se não de um apoio direto, pelo menos de uma ativa manipulação da informação.

Serão dois anos tóxicos.

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