Os recordes, desde que positivos (nenhum guarda-redes que ficar na história como o que sofreu mais golos num jogo), sejam eles individuais ou coletivos, garantam ou não troféus, podem não ser o objetivo principal de quem pratica desporto profissionalmente, mas ninguém os descarta se tiver a oportunidade de os garantir. Isto porque são o tipo de feitos que ajudam a gravar o nome dos atletas ou das equipas na história da modalidade que praticam e que alimentam outras gerações vindouras de desportistas que também sonham, um dia, serem os melhores entre os pares.
E, no que a recordes diz respeito, este fim de semana desportivo tem que se lhe diga, entre aqueles que estão mesmo à beira de se concretizar e outros que dependem de manter o ritmo, sem distrações, até ser superada a fasquia. Comecemos pela Cidade do México, onde a corrida de Fórmula 1 no Autódromo Hermanos Rodríguez pode consagrar o jovem italiano Andrea Kimi Antonelli como o Campeão Mundial mais jovem de sempre. Para tal, basta ao piloto da Mercedes somar dois pontos (ficar em 9.º lugar ou melhor na corrida), sendo que há outro cenário que lhe permite festejar sem pontuar, que é o vencedor da prova não ser um dos seus mais diretos perseguidores no Mundial: os britânicos George Russell (colega de equipa na Mercedes) e Lewis Hamilton (Ferrari).
Se domingo selar o título no México, Antonelli consegue o feito com a idade de 20 anos, dois meses e sete dias, destronando o alemão Sebastian Vettel, que se sagrou campeão em 2010 aos 23 anos, quatro meses e 11 dias, pela Red Bull. Na altura, Vettel iniciou uma era em que dominou por completo a Fórmula 1, vencendo o Mundial por mais três vezes consecutivas. É cedo para dizer se Antonelli conseguirá aproximar-se desse registo – se o conseguisse ficaria em condições de poder lutar por outro máximo histórico, os cinco troféus consecutivos do alemão Michael Schumacher, entre 2000 e 2004. Mas potencial não falta ao jovem italiano, que, aos 20 anos, está prestes a subir ao trono mais ambicionado do desporto automóvel.
Noutro continente, noutro desporto, e noutro patamar de importância do recorde em causa, também no Estádio do Dragão se vai lutar por manter viva a hipótese de alcançar um feito ímpar na centenária história do futebol portista. O FC Porto está a ter um arranque perfeito do ponto de vista interno (em absoluto contraste com o que está a acontecer na Liga dos Campeões), somando ‘apenas’ vitórias nos nove jogos que já disputou na I Liga. Este já é o segundo melhor arranque de sempre do FC Porto no campeonato e deixa os dragões a quatro triunfos do recorde de 1939/40, quando, sob o comando de Miguel Siska, derrotaram os primeiros 13 adversários.
O Estoril (sábado, às 20h30), último classificado na I Liga, é o próximo obstáculo a ultrapassar nesta caminhada.
Pode não valer troféu, mas vale um lugar na história. E valerá, ao mesmo tempo, um precioso reforço anímico na luta pelo grande objetivo da época, a revalidação do título de campeão. É com este tipo de metas intermédias que se aumentam os índices de confiança da equipa, quer no seu desempenho coletivo, quer nos resultados e ideias do treinador que a conduz. Farioli sabe-o bem.