Foi no sábado que a peça icónica e sagrada, para o Povo Atchan, da actual Costa do Marfim, foi recebida em festa, em Adjamé. Em 1916, os franceses perceberam que quebrariam os Atchan, se confiscassem o “telégrafo-enigma” da tribo, um “tambor-falante”, que anunciava a grandes distâncias, a aproximação do inimigo. Após esta vitória, de Adjamé ao Museu du quai Branly - Jacques Chirac, em Paris, foi um tirinho!110 anos depois, o tambor, esculpido em madeira de iroko, 3,30m e 430 kg, é devolvido, intacto, no sentido da boa conservação a que esteve sujeito.Este ponto, da boa conservação, deve ser essencial, para o debate sobre a devolução de peças, objectos, tesouros, ao ex-colonizado. Porquê?Porque há, primeiro, que saber a quem se devolve. Ao Estado, naturalmente, mas terá este, condições para replicar as condições que permitiram a boa conservação, enquanto esteve a cargo do ex-colonizador?No caso da devolução do “tambor-falante”, à Costa do Marfim, a UNESCO, disponibilizou 100.000 dólares para assistência e formação, do pessoal do Museu das Civilizações da Costa do Marfim. Ser o fiel depositário, de ícones desta importância, é ter nos braços um bebé, que precisa de cuidados permanentes. Posso garantir, que o governo e o Presidente caiem, na Costa do Marfim, caso o tambor ganhe caruncho!Por outro lado, há peças que têm uma importância tal para a Humanidade, que é indiferente o local onde se exibem! Ocorre-me, a Pedra de Roseta, no “British Museum (of Robberies)”, que se tivesse que ser devolvida ao Egipto, levantaria o precedente e o mesmo, o museu, ficaria vazio!Precisamente, o levantamento do precedente, é o argumento jurídico-moral, para debates, que devem incluir, como referi, o imperativo da conservação e da segurança (fortíssimo mercado negro de antiguidades e relíquias), e considerar sempre, primeiro, a importância da peça, não só para a origem, mas também para quem a confiscou/preservou, e depois para os outros, para o Mundo inteligível dos humanos. Por exemplo, o astrolábio teve uma importância para o avanço da navegação e sentido da História, que afectou a todos. O astrolábio é nosso, mas não só, podem ficar com eles!Esta, parece-me aliás, ser uma boa frente para a cooperação entre Estados, já que por vezes parece que tratam melhor as coisas que as pessoas, aqui fica boa sugestão. Nada incomoda mais um líder, que uma bolha surgir no brilhante da secretária de nogueira, pois não a conseguem controlar. Mas podem controlar a temperatura de uma sala de museu, para acondicionar peça de madeira, por exemplo, ou de papel.Chamemos-lhe, “diplomacia-de-comando-na-mão” e veremos se o bicho pega!