De novo, a Justiça vai ter de se chegar à frente!

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Quem, estoicamente, tenha assistido à audição do ministro Luís Neves na 1.ª Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais e, depois, ao debate da moção de censura do Chega perguntará: mas por que razão, de uma vez por todas, Luís Neves não apresenta provas decisivas das afirmações que faz? Por que não mostra papéis, comprovativos de pagamentos das obras do monte, facturas e respectivas transferências bancárias, extractos bancários dos empréstimos feitos? E por que não revela nomes? Por que não diz quem foi o trabalhador que lhe vendeu as sulipas (traves de madeira dos caminhos-de-ferro) usadas no monte? Por que não vem a público o papel do orçamento dos 144 mil euros feito pela empresa privada para destruir os bidões de produtos destinados à droga armazenados em Barcelos? Por que não é transparente e não mostra provas conclusivas?

Se o fizesse libertar-se-ia, a si próprio e ao Governo, do lamaçal em que se encontra o país. E ajudaria Luís Montenegro a combater esta suposta praga da “censura moderna” que impede o Executivo de divulgar, convenientemente, as medidas positivas que o Governo tanto quer mostrar aos portugueses e que estão obliteradas por esta permanente narrativa doentia à volta do ministro da Administração Interna.

Também não se entende muito bem por que razão o primeiro-ministro não toma a iniciativa de demitir o ministro da Administração Interna. É um mistério! Vamos ver, no futuro, se existem ligações de Luís Neves aos processos Influencer e Spinumviva, e se isso tem alguma coisa a ver com esta paralisia de que padece Luís Montenegro.

Bom, mas já se percebeu que, na lógica do novo conceito de ética que Luís Montenegro imprimiu ao Governo, talvez tenha de ser a Justiça, lá mais para a frente, uma vez mais, a resolver uma questão política expressa no imbróglio que assola o Governo. Quem sabe a resolução de um dos sete inquéritos que Luís Neves carrega às costas lhe confira a classificação de arguido e o ponha borda fora do Governo com grande alívio para Luís Montenegro e para o país.

A audição e o debate da moção de censura mostraram que o dossier Luís Neves não vai parar. O próximo episódio, se lá chegarmos, será a futura Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos oito anos de gestão de Luís Neves à frente da PJ. O que, convenhamos, não vai ser uma coisa bonita de se ver e vai desnudar a PJ, uma das mais estáveis instituições portuguesas.

Talvez que o aproximar da CPI force a demissão de Luís Neves (por iniciativa do próprio ou do primeiro-ministro) e o catapulte para um qualquer cargo internacional que nos faça esquecer este triste momento político que o país está a atravessar devido a uma escolha desastrada, que Pedro Passos Coelho tão bem avisou que não seria uma boa ideia.

O balanço da audição e debate da moção de censura não tem grande história. Na audição, as questões à volta de Luís Neves continuam por esclarecer. No debate da moção de censura, o Chega surgiu como a única força de oposição perante um PS que, compreensivelmente, ensaia uma postura de Estado, enquanto José Luís Carneiro não corporize uma alternativa credível ao Governo de Montenegro. E, manifestamente, isso ainda não foi visível neste debate da moção de censura.

Com um mundo às avessas com duas guerras na actualidade, com as nuvens negras que ameaçam as economias dos países, com Portugal com os constrangimentos estruturais que o afligem, com os estrangulamentos conhecidos na Educação, Habitação, demografia, Saúde, seria útil que as instituições políticas se centrassem na discussão destas questões em vez da perda de tempo à volta de um ministro que já devia ter esclarecido, de um modo concludente, todas as histórias que giram à volta dele.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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