Conheci a expressão “língua de Camões” na China, nos anos 70. “Quão importante era o homem cujo nome ficou a identificar uma língua falada em todos os continentes?” Foi a minha primeira reação à expressão começando a ler o escrito dele e sobre ele com grande curiosidade e respeito.Fui trabalhar para Macau nos anos 80. Logo que surgiu a primeira oportunidade, fui visitar a Gruta de Camões onde o poeta concluíra a imortal obra Os Lusíadas, conforme a lenda. “A vida dele e as condições para a sua criação do poema épico não eram nada fáceis”, pensei com os meus botões.A partir dos anos 90, ao passar nesta terra o anual “10 de Junho”, surge na minha mente o retrato de Camões pintado por Fernão Gomes, parecendo visualizar o poeta e guerreiro a perder um olho numa batalha, a salvar o manuscrito de Os Lusíadas no naufrágio...Anteontem, dia 7, veio um amigo chinês de Xangai oferecendo-me a última versão chinesa atualizada de Os Lusíadas, que Zhang Weimin tinha traduzido e publicado em 1995. E no jantar com esse amigo e outros de Pequim a visitar Lisboa, a pedido de um dos presentes, expliquei o significado do feriado que se aproximava, 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e o meu marido referiu a expressão “língua de Camões”. “Para o Dia Nacional foi escolhido o dia da sua morte, e também o seu nome, Camões é, sem dúvida, o símbolo da Nação Portuguesa e da Língua Portuguesa”, comentou um visitante que é um escritor conhecido na China.Realmente, Luís de Camões, autor da epopeia sobre as descobertas marítimas, que exalta o “peito ilustre lusitano” e o povo português como “gente ousada”, que tinha uma vida difícil, agitada e perigosa enquanto vivo, foi consagrado, após a sua morte, como ícone nacional merecendo todo o reconhecimento e louvor.Nesse contexto, aceitando um desafio lançado pela Fundação Jorge Álvares (FJA), a Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa (ZWY) vai promover no Dia de Camões a leitura em chinês e português de Camões no Oriente, obra mais recente da dupla Ana Maria Guimarães e Isabel Alçada, com a presença da primeira no evento. A leitura será feita pelos alunos da Escola Chinesa Molihua na Rua Sarmento de Beires, 1, Areeiro, no dia 10 de junho, às 11:00. A FJA, como editora desse livro sem fins comerciais, marcará a sua presença através da sua presidente e outros dos órgãos sociais procedendo à oferta de livros autografados.Na mesma linha de promover a compreensão mútua e a sintonia de ideias entre os chineses e os portugueses, a ZWY vai apresentar “dia aberto da cultura chinesa” que terá lugar no dia 27 de junho, entre as 10h e 15h, no mesmo endereço acima referido. Demonstrará o ensino de língua chinesa, a caligrafia e a pintura a pincel, artes marciais, mahjong, gastronomia chinesa (como se faz jiaozi/guioza)...Sejam bem-vindos aos dois eventos!